Mecanização

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Janos Biro

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Dec 17, 2009, 3:33:59 AM12/17/09
to civil...@googlegroups.com
Um filme que eu gostaria de analisar seria o "Exterminador do Futuro
IV". Acho que ele serve de exemplo para a discussão sobre a
"mecanização" das relações.

Por exemplo, eu sempre termino meus e-mails mandando um abraço, ou
então abraços, mas isso, com o tempo, se torna tão comum que não
carrega sentimento algum, é uma resposta mecânica, e é lida de forma
mecânica. É cada vez mais difícil expressar sentimentos, especialmente
pela internet. É difícil demonstrar o meu desejo de, realmente, dar um
abraço apertado em algumas pessoas aqui.

Grande parte do problema vem da erotização das relações. Se eu começo
a falar mais intensamente com uma pessoa, ou então falar da relação
entre eu e ela, o outro tende a interpretar isso como algo "suspeito".
É como se todo interesse tivesse fundo sexual. Eu não posso mais dizer
que gosto de conversar com uma pessoa, ou mesmo dizer que gosto muito
dela, sem ser mal interpretado.

Eu estava conversando por MSN com um ex-membro deste grupo, e tivemos
um sério problema de relacionamento. Ele diz que não confia mais em
mim, que eu tento manipulá-lo, que estou doutrinando as pessoas aqui,
etc... Eu fico muito, muito triste com isso mesmo, porque eu gosto
dele. Tivemos boas conversas, bons momentos. E agora sou tratado como
arrogante porque tive a pretensão de tentar "ensinar" algo. Então,
hoje em dia, você não pode mais chegar para uma pessoa com intenção
didática ou pedagógica sem ser taxado de arrogante, ou de se fazer de
"superior". Por dois motivos: porque as pessoas não respeitam nenhum
tipo de autoridade, mesmo aquela que existe entre qualquer outro
mamífero de bando. Tentar corrigir alguém, ou dizer que alguém poderia
aprender alguma coisa com você é "inferiorizar" o outro, e ninguém
quer ser inferior, todos querem ser tratados como "iguais", como se
todos soubessem as mesmas coisas. Não estou criticando essa pessoa,
mas nossa conversa me lembrou essa característica pouco discutida da
modernização. A mecanização das relações faz com que as pessoas sintam
que não tem nada a aprender uma com as outras, pois as relações devem
ser meramente instrumentais, funcionais. O que tiver utilidade na
minha vida é bom, o que não tiver é ruim.

A mecanização está presente em mim, e provavelmente em outros membros
aqui. Quando eu conversava, citei a discussão sobre o Cypher, e ele me
perguntou: "Está me dizendo que eu sou o Cypher?". Eu respondi: "Todos
nós somos o Cypher". Nosso coração é humano, mas nossa programação nos
leva para a armadilha da Máquina, como no Exterminador do futuro. Nós
somos aquele personagem que pensa ser humano, mas descobre ser um
robô. Para se opor à Skynet (que é a cultura que nos programou), é
preciso lutar contra si mesmo, compreender e sobrepor a programação
com aquilo que vem do coração. Mas para isso, é preciso compreender a
programação, ou então, ao agir mecanicamente, estaremos, cooperando
com a Máquina. Achando que estamos indo contra, podemos estar indo
direto para sua armadilha, levando nossa esperança de salvação para o
beco sem saída.

Sem confiança, não vamos a lugar nenhum. Se alguém aqui acha que já
sabe tudo, que não precisa de ninguém, então temos um problema. Porque
uma coisa é "doutrinar", no sentido pejorativo, outra é tentar gerar
reflexão, ou, porque não, ensinar. O problema é muito sério. Eu
gostaria que essa fosse uma comunidade de aprendizado. Para isso, é
preciso esforço e disposição da parte de vocês para romper com a
mecanização das relações.

Abraços, sinceros e apertados, a todos vocês

Janos

--
http://antizero.rg3.net

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