Regra de Ferro: Faz aos outros o que quiseres, antes que te façam o mesmo.
Regra de Bronze: Faz aos outros o que te fazem.
Regra de Prata: Não faças aos outros o que não desejas que te façam.
Regra de Ouro: Faz aos outros o que desejas que te façam.
O poema de Augusto dos anjos parece seguir a regra de ferro: se o bem
é apenas o que antecede o mal, faça o mal ao outro antes que este
tenha a oportunidade de te fazer mal. Esta paranóia dirige muitos
relacionamentos que eu vejo por aí. Ferir como prevenção de um mal que
é tomado como inevitável, e que assim se faz realmente inevitável. É
possível que o outro não me machuque, mas não vale a pena arriscar, ou
seja, não há confiança. Se o outro é colocado numa situação em que
pode me ferir ou se arriscar a ser ferido, ele preferirá ferir. Quem
segue a regra de ferro acha que todos os demais a seguem.
A regra de ouro é o que podemos dizer de amar ao outro como a ti
mesmo. Vou fazer ao outro tudo que eu gostaria que ele fizesse comigo.
Mas este não é destituído de auto-interesse, pois ambos simplesmente
se dão tudo que gostariam de receber, e receber exatamente o que
queremos nem sempre é satisfatório. Era o máximo da moral judaica.
Jesus, porém, introduziu uma nova regra: Ame ao outro como eu vos
amei.
O amor em Coríntios se relaciona com a verdade. Assim, não basta fazer
o que o outro deseja, é preciso saber o que o outro realmente
necessita.
O amor no contexto do Augusto dos Anjos se ruiu pelo ressentimento. A
vida se tornou sem sentido e solitária. Assim, o homem está condenado
a uma existência vazia, e é melhor ferir do que ser ferido, evitar
cair na ilusão de que alguém ainda pode amar, pois nesse sentido o
amor gera sempre dor. Melhor desistir logo do amor e aceitar sua
própria dor, alimentando-a você mesmo. As pessoas criam essas dores
dentro de si, como dores de estimação. Se apegam a elas e passam a
enxergar a dor como uma fonte de beleza poética que substitui o
sentido da vida por uma sensação de plenitude, ainda que composta de
vazio. O sentido na e da falta de sentido. Assim, elas se aproximam
pela comparação das dores. Pessoas se apaixonam uma pelas outras por
este gosto comum em cultivar a própria dor, e podem até se auxiliar
criando situações em que fortalecem a dor um do outro, numa cooperação
auto-depreciativa. Se observa isso em relações em que ambos se atacam
sistematicamente "de brincadeira". Por isso muito do que as pessoas
chamam de amor hoje é na verdade a negação cooperativa do amor, uma
cooperação para se afastar do amor e para alimentar o sofrimento como
se alimenta um vulcão, em constante medo de que ele entre em erupção.
Quando entra, o desespero toma conta. Quanto a isso podemos também
distinguir amor erótico de amor ágape.
Janos