O homem que vive sem dinheiro

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Kylter

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Mar 29, 2012, 7:35:58 AM3/29/12
to Civilização
Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI300239-17770,00.html

Saiba como Mark Boyle passou quase 3 anos sem gastar (ou ganhar)
nenhum centavo
(por Guilherme Rosa)

Mark Boyle é um irlandês de 32 anos que decidiu romper com a sociedade
atual e o que considera seu principal símbolo: o dinheiro. Formado em
administração de empresas, há 4 anos ele tomou uma atitude radical e
passou a viver sem um tostão no bolso. Ele mora no campo, come o que
planta, toma banho em um rio, cozinha em uma fogueira e abdicou das
mordomias da vida moderna. E tem mais: ele quer que você também siga
seu estilo de vida.

Boyle tomou essa decisão depois de ver como estamos levando o planeta
para o buraco. Segundo o ativista, nossa economia estaria destruindo a
natureza e arruinando a vida de nossos semelhantes. E a culpa de tudo
estaria no dinheiro, que cria uma distância entre o homem e os
produtos que ele consome. “Não vemos o efeito de nossas compras no
ambiente. Não sabemos por quais processos os produtos passaram, quais
os danos que eles causaram. Não sabemos mais como o que consumimos é
produzido”, disse à GALILEU.

Apesar de evitar a civilização moderna, Boyle não é nenhum ermitão. De
um computador carregado a energia solar, ele mantém um blog atualizado
para propagar as suas idéias e juntar possíveis adeptos. Em 2010, ele
lançou o livro The Moneyless Man (que vai ser lançado em julho no
Brasil pela editora Best Seller, com o título de O homem sem grana).
Até o final do ano, ele deve lançar mais um livro no Reino Unido.

Há 6 meses, Boyle retrocedeu um pouco em suas convicções e voltou a
lidar com o vil metal. Mas ele diz que tem um objetivo nobre: vai
construir uma comunidade que siga seu estilo de vida, onde todos terão
acesso aos alimentos, e o dinheiro não terá valor algum. Durante uma
visita à casa dos pais, para onde foi de carona, Mark Boyle conversou
por telefone com a revista GALILEU. Foi um lance de sorte, já que ele
se livrou de seu celular no ano passado. Veja a entrevista:

Quanto tempo você viveu sem dinheiro?

Foram dois anos e meio, quase três. Eu vivi num pedaço de terra, onde
cultivava minha própria comida. Eu uso um pouco de energia solar para
o meu laptop, que é o único modo de me comunicar com o resto do mundo
- eu tenho que conseguir mostrar às pessoas que é possível viver sem
dinheiro. Tomo banhos em um rio aqui perto. Uso materiais da natureza
no meu dia-a-dia: escovo meus dentes com ossos de animais misturados
com sementes.

Mas como é sua rotina? Como foi seu dia hoje, por exemplo?

Foi bem normal na verdade, sempre me fazem essa pergunta. Eu coletei
frutas, tomei banho no rio... Tem alguns dias que passo inteiro
plantando, outros colhendo. Em alguns outros eu recolho lenha. Daí
volto a plantar. Meu dia-a-dia é basicamente ir atrás das coisas
essenciais sem gastar dinheiro. E isso exige habilidades muito
básicas. Além dessas coisas, também fico cuidando da comunicação,
falando com a mídia. Sabe, minha história fez sucesso nos jornais
daqui e acabei dando muitas entrevistas. Escrevo bastante, acabei de
terminar de escrever um segundo livro que será lançado no final do
ano. Mas, ao mesmo tempo em que cuido dessas coisas, tenho que
sobreviver.

O que fez você seguir esse estilo de vida?

Eu estava em uma época de questionamentos, pensando sobre todos os
problemas do mundo: destruição das florestas, trabalho forçado,
extinção dos recursos da natureza. Estava pensando nos problemas
ecológicos e sociais, em quais deles eu poderia trabalhar, e percebi
que todos têm um denominador em comum. Eles são causados pelos vários
graus de separação entre o consumidor e o que ele consome. A gente não
sabe por quais processos os produtos passam, quais os danos que eles
causam. Não sabemos mais como o que consumimos é produzido. Aí eu
percebi que o dinheiro era um fato muito importante dentro disso, ele
nos separa do que consumimos.

Minha primeira ideia foi falar sobre as conseqüências do uso do
dinheiro, porque todos sabemos de seus benefícios, mas ninguém fala de
suas conseqüências. Mas depois de 6 meses discorrendo sobre isso, vi
que eu deveria dar o exemplo. Acredito muito na frase de Gandhi: “Seja
a mudança que você quer ver no mundo”. Se eu vou falar disso, o mínimo
que eu deveria fazer é viver isso. Acho que dinheiro nos causa danos
de várias formas. Combinado com outros fatores econômicos, como a
divisão do trabalho e economia de larga escala, está destruindo a
natureza, porque não vemos os efeitos de nossas compras no ambiente.

Você é formado em administração de empresas. Isso tem alguma coisa a
ver com o rumo que tomou?

Claro. Compreender como tudo funciona foi muito crucial. Quanto mais
você entende de economia e dos processos envolvidos, mais você percebe
que é insustentável. Durante 4 anos estudando economia, eu nunca ouvi
falar do mundo real. Ninguém fala de pessoas, solo, oceanos,
florestas. Só aprendemos teorias e equações, sem nos importar com o
mundo real e com o fato de o estarmos destruindo. Isso me deu uma
ideia das falhas básicas do nosso modelo econômico. O que estou
tentando fazer é criar uma nova história, explorar um novo modelo que
não seja tão dependente do dinheiro, baseado na comunidade e na
relação com a terra.

O que sua família pensou dessa mudança?

Eles me deram muito apoio. De inicio, eles não falaram muito sobre
isso, porque foi uma mudança muito súbita. Mas hoje eles me dão apoio
total, vêem que o mundo fica cada vez pior. Quanto mais conversamos,
mais eles percebem que nos próximos cem anos as coisas vão ficar muito
difíceis, inclusive para seus futuros netos.

Nos últimos meses você voltou a lidar com dinheiro. Por quê?

Estamos começando um projeto de comunidade onde possamos viver 100% da
terra. Onde possamos viver de um modo que não haja trocas. Vamos
plantar comida e dar cursos para quem não souber plantar. Os cursos
serão livres. As pessoas que forem para os cursos também irão produzir
as comidas nessa terra. Queremos mostrar um outro modo de viver junto,
de produzir as comidas de que precisamos. A intenção não é só reduzir
nosso impacto no planeta, mas queremos fazer uma economia baseada no
“dar”. Não acreditamos no “dar” condicional, que é o “trocar”, o “eu
te dou isso se você me der aquilo”. Esse é um jeito muito cruel de
viver. Não precisamos sempre receber algo em troca.

Você acha seu movimento vai ganhar mais adeptos?

Em 2008, quando a crise estourou, o movimento cresceu muito. E agora
cresce bastante em países como Grécia e Portugal. É interessante ver
que, quando a economia normal se deteriora, as pessoas começam a
procurar por outros modos de viver. Estamos crescendo bem rápido.
Quando tudo começa a dar errado, as pessoas procuram por um modo de se
salvar. É por isso que estou tão ocupado hoje em dia, as pessoas
querem saber sobre isso. Muitos querem saber como viver sem dinheiro,
já que não têm dinheiro.

E você acha que dá pra todo mundo viver assim?

Acho que precisamos de uma transição. Precisamos mostrar as
conseqüências ecológicas e sociais de nossa economia atual. Acredito
que as pessoas vão entender que largar o dinheiro é o único jeito
sustentável de viver. Acho que viveremos uma transição para sermos
menos dependentes do dinheiro, para restabelecermos nossa conexão com
a comunidade e com a terra sob nossos pés.

Marcus Vinicius Candido

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Mar 29, 2012, 1:46:08 PM3/29/12
to civil...@googlegroups.com
Atitude.


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Marcus Vinícius Cândido
Médico Veterinário CRMV-SC 2237
Especialista em Biologia UFLA
Mestre em Ciências Veterinárias UFPR
Professor Concursado Medicina Veterinária FURB
Membro da Comissão de Animais Silvestres e Exóticos CRMV-SC

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Janos Biro

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Feb 1, 2013, 1:48:46 PM2/1/13
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Olá,

Depois de quase um ano, eu tenho algo a comentar:

Eu acho que no fundo todo mundo sabe que é possível viver sem dinheiro, e sabe a extensão dos danos que provocamos por causa do nosso sistema econômico, mas ainda assim seria preciso um motivo mais forte para tomar a decisão de "romper com a sociedade atual", ainda mais quando o rompimento é de um único indivíduo em relação à sociedade como um todo. Mas podemos esperar que saídas como essas sejam cada vez mais procuradas.

Abraços

Janos

Em 29 de março de 2012 08:35, Kylter <kyl...@gmail.com> escreveu:
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