Sábado, tarde do dia 21 de maio, Avenida Paulista:
Quando a tropa de choque bateu nos escudos e, em coro, gritou CHOQUE! a
Marcha pela Liberdade de Expressão do último sábado se tornou muito
maior. Não em número de pessoas, mas em importância, em significado.
Foram liminares, tiros, estilhaços, cacetadas, gases e prisões sem sentido. Um ataque direto, cru, registrado por centenas de câmeras, corpos e corações. Muita gente acha que maconheiros foram reprimidos.
Engano…
Naquele 21 de maio, houve uma única vítima: a liberdade de todos.
E é por ela que convocamos você a aparecer no Vão Livre do MASP, sábado que vem, dia 28, às 14hs.
Não somos uma organização. Não somos um partido. Não somos virtuais.
Somos uma rede. Somos REAIS. Conectados, abertos, interdependentes, transversais, digitais e de carne e osso.
Não temos cartilhas. Não temos armas, nem ódio.
Não respondemos à autoridade. Respondemos aos nossos sonhos, nossas consciências e corações.
Temos poucas certezas. E uma crença: de que a liberdade é uma obra em eterna construção.
E que a liberdade de expressão é o chão onde todas as outras liberdades serão erguidas:
De credo, de assembléia, de amor, de posições políticas, de orientações sexuais, de cognição, de ir e vir… e de resistir.
E é por isso que convocamos qualquer um que tenha uma razão para marchar, que se junte a nós no sábado para a primeira #MarchadaLiberdade.
Ciclistas, peçam a legalização da
maconha… Maconheiros, tragam uma bandeira de arco-íris… Gays, gritem
pelas florestas… Ambientalistas, tragam instrumentos… Artistas de rua,
falem em nome dos animais… Vegetarianos, façam um churrasco
diferenciado… Moradores de Higienópolis, venham de bicicleta… Somos
todos cadeirantes, pedestres, motoristas, estudantes, trabalhadores…
Somos todos idosos, pretos, travestis… Somos todos nordestinos,
bolivianos, paulistanos, vira-latas.
E somos livres!
Em casa, somos poucos.
Juntos, somos todos. E essa cidade é nossa!
o movimento está horizontal, e a reunião rolou em "comissões", para minar
o máximo possível a participação de grupelhos manipuladores. No final, foi
cansativo como uma assembleia, mas rendeu mais em menos tempo e o ato de
sábado vai ser fodido! Acho que vai muita gente!
é isso! há muitos anarquistas organizando também, junto com artistas,
gente de partido e o escambal. Eu tenho críticas ao movimento, claro. Mas
acho que ele é bom porque dele podem sair muitos outros grupos, muita
coisa nova, bem legal, além da própria principal pauta, que é a de proibir
o uso de armas letais, como spray de pimenta, bombas e bala de borracha em
manifestações. Nelas, quem estaria presente "regulamentando" seria ou
oficiais de justiça ou policiais só com escudo e cacetete. Cara, para isso
virar uma grécia, ou qualquer coisa mais combativa que um Brasil, é dois
palitos.
abraços
>
> Sábado, tarde do dia 21 de maio, Avenida Paulista:
> Quando a tropa de choque bateu nos escudos e, em coro, gritou CHOQUE! a
> Marcha pela Liberdade de Expressão do último sábado se tornou muito maior.
> Não em número de pessoas, mas em importância, em significado.
>
> Foram liminares, tiros, estilhaços, cacetadas, gases e prisões sem
> sentido.
> Um ataque direto, cru, registrado por centenas de câmeras, corpos e
> corações. Muita gente acha que maconheiros foram reprimidos.
>
> Engano…
> Naquele 21 de maio, houve uma única vítima: a liberdade de todos.
> *E é por ela que convocamos você a aparecer no Vão Livre do MASP, sábado
> que
> vem, dia 28, às 14hs.*
> *Juntos, somos todos. E essa cidade é nossa!*
>
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> Friedrich Nietzsche.
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Somos uma rede. Somos REAIS. Conectados, abertos, interdependentes, transversais, digitais e de carne e osso.
Não temos cartilhas. Não temos armas, nem ódio.
Não respondemos à autoridade. Respondemos aos nossos sonhos, nossas consciências e corações.
Temos poucas certezas. E uma crença: de que a liberdade é uma obra em eterna construção.
E que a liberdade de expressão é o chão onde todas as outras liberdades serão erguidas:
gostei da crítica! Por eu estar próximo de tudo o que tá rolando, já não
tinha percebido isso, por exemplo. Se bem que será que TUDO aquilo são
formas de se viver só na civilização?
mas de fato eu fico meio assim, também. To participando da organização,
mas com um pé atrás. To apostando mais mesmo é na pauta sobre as armas
letais da polícia e no que pode vir DEPOIS dessa marcha aí. Mas de fato...
sei lá. Não é nada revolucionário, mesmo. É reformista, mas uma reforma
que eu to achando bastante útil e envolta por "valores" simpáticos, a
princípio. Eu não tenho mais pensado em "lutar pela liberdade", porque
tenho desacreditado nisso, mas de qualquer forma também me incomoda esse
possível aprisionamento que a "ideia de liberdade" pode acabar sofrendo
sendo manipulada tão massivamente e de forma um tanto vaga.
enfim, to talvez na mesma contradição.
abraços,
dennis
Não sei se entendi bem seu primeiro email, mas o que mais me incomodou nele foi achar que o protesto é pelo direito de protestar, é isso mesmo? O pedido é que se regulamentarize e se organize, em termos mais gentis, futuramente, a repressão às manifestações, é isso? Se algo está sendo reivindicado, é pq reconheço, no ato de reivindicar, em quem demando, autoridade e poder. Misturando alhos com bugalhos: dentro desse raciocínio, não é à toa que o meu sindicato faz campanha salarial mandando ofícios (protocolados) ao patrão. Provavelmente deixam recados com a secretária dele, também...
Mas, se entendi errado, deixa pra lá.
De qualquer forma, pareceu-m também que vc tá doido pra se empolgar e ter esperança com o lance, mas tá meio constrangido com o que sente. Empolgação e esperança genuínas são muito raras de se sentir. Eu, se fosse você, aproveitava.
|
tipo, na Grécia:
http://www.youtube.com/watch?v=ztflgW15OzM&feature=share
na Catalúnia:
http://www.youtube.com/watch?v=Geg_6Xoy04s&feature=player_embedded#at=13
tá interessante, tá interessante!...
quem se interessar em fazer parte da lista de discussão da marcha, dá o
e-mail que eu tento pedir para adicionarem lá.
hugo, eu também preferiria conseguir de forma direta algo mais pleno. É
complicado... mas, por exemplo, na grécia é assim, na argentina eles
acabaram de conseguir uma lei dessas que "estamos reivindicando", minando
a repressão policial a manifestações. Se por um lado isso é legitimar o
Estado e se encaixar nos moldes de funcionamento de uma sociedade muito
bem civilizada, por outro acho que abre caminho para a ação de pessoas que
justamente querem esse nosso algo mais.
mas claro que já to vendo muita merda.. tipo o Studio SP, uma casa noturna
de São Paulo, assinando como apoiadora da Marcha. Porra, uma empresa?! E
agora rolou o boato de que a juventude do PSDB também ia colar... ninguém
entendeu nada.. quero só ver. Enfim... é ver hoje o que acontece.
abraços
>> --- Em *sex, 27/5/11, beav...@riseup.net
>> <beav...@riseup.net>*escreveu:
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http://www.youtube.com/watch?v=-p5yR9Xylcc
abs
A comparação com a Parada Gay foi muito feliz (hoje em dia, como alguém já disse, a "rebeldia" é um negócio muito lucrativo). Seria engraçado se a Parada pela Liberdade se transformasse em um evento anual, previsto no calendário da cidade, e com forte apelo turístico.
Mas já estou sendo amargo...
hugo
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| Olá Caros, talvez a discussão em torno da marcha, sobre seus limites e contradições, deva tornar-se uma oportunidade para discutirmos qual deve ser a real política de ação que decorre ou surge da inspiração da crítica à civilização. Muitas críticas colocadas ao movimento são interessantes, mas soam aos meus ouvidos não apenas como palavras do pessimismo próprios aos velhos ou considerações sábias de quem se mantém distante. Digo explicitamente soam, porque não estou certo de que está seja de fato a intenção das críticas. Ainda é pertinente a pergunta: o que fazer? Algumas observações críticas poderíam ser mais problematizadas, especialmente o que Janos escreveu sobre a psicologia das massas e multidões. Claro que há uma mudança de comportamento quando estamos em meio a multidões, não apenas em protestos, mas em geral. A questão é saber se podemos reduzir o que acontece ali as experiências de empolgação, adrenalina na confrontação com a repressão, etc. Esta leitura pode ser despolitizadora, porque toda ação coletiva terá tais componentes, mas o que interessa em última instância é avalizar o objetivo, a meta do movimento. Os dois temas levantados são pertinentes. A liberdade de expressão é um direito conquistado e que está constantemente ameaçado, caso não exista mobilização. A proibição da marcha pela maconha é um sinal de que algumas demandas políticas não são aceitas ainda pela sociedade, por isso, que em alguns momentos é necessário lutar pelo direito de lutar. Algo análogo acontece quando uma greve é considerada ilegal!! A comparação com outras lutas pode ser pertinente, por isso, a referência a parada gay pode ser esclarecedora. Que a marcha seja plural, contenha muitas orientações e discursos é mais do que natural, é o que garante sua vitalidade, mas ao mesmo tempo o que dá origem a suas contradições. Diante disto, não cabe recusar imediatamente a movimentação, mas ao contrário participar mais ativamente para introduzir ideias, propostas, encaminhamentos na direção que consideramos mais pertinente. Porque fazer isso? Porque tanto no caso do movimento gay, quanto no caso do movimento pela liberação da maconha estamos em luta contra o preconceito, contra a violência, contra a intolerância aos gay, num caso, e aos usuários de outra. Não dá para saber de antemão o que pode acontecer a partir dessas movimentações, deixemos aos marxistas a arte da profecia. Diferentemente deles, os anarquistas afirmam que estando o futuro aberto, cada movimento social terá a forma, a força e a direção que os indivíduos que o compõem criarem conjuntamente. A pergunta que se impõe é: a anticivilização tem uma política, tem estratégias e propostas de ação para avançarmos? Tem condições de tranformar-se numa movimentação social? A mensagem é simples, o necessário é fortalecer as lutas existentes e criar novas. Porque como diz a música do ivan lins: "Nada cai do céu, nem cairá, tudo que é meu eu fui buscar." abraços, Thiago |
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quem quiser aí.. eu e a galera que não é ONGeira e estamos participando lá
agradecemos.
abraços,
dennis
Janos, vou te colocar lá.. se der para participar, melhor ainda =)
agora mesmo, por exemplo, acho que acabei de fazer o ale youssef, do
partido verde, sair da lista. Sugiro, janos, se for de seu interesse,
lógico, dizer lá de onde vc é, para que a articulação do negócio por aí
não fique na mão da galera do coletivo fora do eixo:
http://foradoeixo.org.br/institucional
tá na cara que eles não são de confiança.
abraços
Olá a todos, no geral concordo com as críticas a marcha pela liberalização da maconha. No entanto, talvez não seja apenas uma questão de consumo, pois a política de combate a drogas serve internamente e internacionalmente como justificativa para violência e repressão policial que afetam não apenas os usuários, mas também os moradores da periferia. Legalizar a maconha pode contribuir também, através da produção em casa, para o fim da comercialização transformando o consumo em algo que acontece fora do mercado. Na verdade, minha intenção não era discutir o movimento da marcha, pois não participo ativamente dele, mas de aproveitar o ensejo para propor uma reflexão sobre as consequências políticas da crítica a civilização. Inevitavelmente teríamos que imaginar e projetar uma alternativa ao que Janos chamou de "conceito civilizado de política". Não aceito que
toda forma de política de ação tenha que ter como alvo um modo qualquer de vida civilizada, porque não podemos lutar pelo fim da civilização, ou seja, por uma vida não-civilizada? Pelo que entendi, o conceito civilizado de política consistiria na tentativa de mobilizar a massa ou a coletividade urbana, ou seja, um agrupamento não-natural de pessoas. Desse modo, a política de ação anticivilização teria que acontecer fora das cidades, dos grandes aglomeradores urbanos, porque predomina aqui a massificação. Este argumento parece nos conduzir para fora da cidades, exigir de algum modo a construção de espaços de convivências alternativos de onde pode emergir a contrahegemonia. A imagem do barco proposta por Theodore Kaczynski no conto "Navio de Loucos" indica claramente que o que interessa fazer é alterar o curso da viagem. Se sabemos que o ponto de chegada é o naufrágio, devemos alterar o curso. A meu ver a
política de ação anticiviliação tem encontrar uma estratégia para isso. Com certeza, a metanóia, a transformação do espírito, das crenças e concepções é uma parte do processo, mas precisa ser acompanhada e complementada por uma mudança das condições básicas de estrutura na economia, tecnologia, etc. Do contrário, não surgirá uma vida não-civilizada, seja lá o que isso significa. De certo modo, pensar a possibilidade de transição é determinar melhor os alvos ou pontos estratégicos que sustentam o sistema. Até certo ponto, ninguém sabe muito bem como desmontar o sistema, mas penso que devemos refletir sim, também sobre isso, pois isso não nos tornará fanáticos da prática.
abraços,
Thiago |
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Bom, acho que eu realmente arranhei a questão no meu email anterior, então. Só que agora o Janos me deu mais coisas para pensar. Tudo bem que acho que estamos sempre falando da mesma coisa, mas sinto que o ritmo está rápido demais para mim. Ainda preciso entender e digerir coisas que foram ditas no primeiro email.
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Devo lembrar também que não estou defendendo exatamente uma proposta "anti-civilização" ou "primitivista". Estou propondo uma reflexão crítica quanto aos problemas inerentes da civilização, e isso é uma coisa diferente. Não sou "pró-civilização", mas também não defendo o discurso "anti-civilização", e sim uma crítica axiológica da civilização que parte de bases anteriores à civilização. Viver em contraste é um pouco diferente de viver em oposição.
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Só pra dizer que, no meio de tanto pessimismo e papo de velho desiludido, isso me deu uma esperança. Rolou uma identificação.
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Oi, Fernando
Pois é: como vc percebeu, não fui eu quem disse isso, foi o Janos. Só quis dizer que achei ótimo isso que ele disse, pq tem muito a ver com o que eu penso. mas tinha receio de dizer isso aqui com todas as letras. Simplesmente, não sabia como seria recebido isso.
Sobre isso que vc disse, de começar mudando a si mesmo, e depois ir ampliando isso através de suas relações, muito provavelmente é muito sensato. Mas, ao mesmo tempo, parece-me meio frustrante. Mudar a si mesmo, realmente, é essencial e não é pouco. Mas, a partir daí, queria poder fazer mais... Esse tipo de raciocínio (muito sensato, volto a dizer) leva facilmente à idéia de investir na Educação, como já vi dizerem aqui. Começar pelas crianças, e tudo mais. Mas desconfio disso. Principalmente se essa Educação se der na escola como a conhecemos. Desconfio de um trabalho desses feito nas escolas atuais. Aliás, desconfio do próprio conceito de escola que temos. Provavelmente, aí voltamos à questão de lutar "por dentro" do sistema, etc e tal. De certo modo, é parecido com a questão das passeatas e das reivindicações.
E disso fica fácil passar para a questão que vc apresentou, a de se utilizar de (digamos assim) instrumentos teóricos civilizados para entender/criticar a civilização (*). Acho que vc tem razão. No plano das idéias, temo que isso não seja mesmo muito diferente de se reivindicar a garantia de direitos na Lei.
Bom, a única coisa que posso dizer em minha defesa é que não conheço outra forma de pensar. Também não tenho outras referências. O que nos leva de volta, é claro, à idéia do novo. O Janos, há um tempo atrás, falou algo sobre outros tipos de razão, ou algo assim. Na época não consegui acompanhar a discussão, pois os emails eram muito longos, mas, de repente, essa pode ser uma possibilidade. Se a razão iluminista não nos serve como instrumento, talvez outro tipo de razão sirva. Talvez seja uma possibilidade, Talvez, até, aprender a raciocinar nos termos dessa outra razão seja um grande passo para nos livrarmos do "modelo civilizado impregnado em nossa mente" (para usar suas palavras).
(*) Continuo a falar de civilização por falta de termo melhor. O que me motivou a entrar neste grupo e tentar entender melhor essa questão (a da crítica à civilização), é que tenho muito claro pra mim que há algo enorme e terrivelmente errado na forma como vivemos. O nosso mundo, esse que temos, não pode ser o melhor que conseguimos fazer. Algo está errado. Terrivelmente errado. Pode ser o capitalismo, mas pode ser algo ainda mais radical (no sentido de "raiz", mesmo). Pode ser a civilização. Como já dei a entender, desconfio que não. Mas tudo bem: o que me interessa são pessoas tentando pensar e entender o que seria essa coisa errada.
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De: fernando schuck <jfern...@yahoo.com.br> |
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