Despertar da consciência
Com o advento de tecnologias como a Internet, a sociedade vem desenvolvendo novas formas de se comunicar e se organizar mundialmente. A circulação de informações acontece cada vez mais através de vários indivíduos e instituições independentes, algo que se contrapõe à lógica do mercado, por sua vez representada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e pelos grandes veículos de comunicação. A Ciranda Internacional de Informação Independente é um exemplo de organização que acredita na comunicação compartilhada. E foi para falar sobre esse trabalho que Rita Freire, coordenadora da Ciranda, compareceu à Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no último dia 21 de setembro. A palestra fez parte da programação da disciplina de Jornalismo Internacional e Cidadania, ministrada pelo professor Gustavo Barreto. Ela explicou como as novas iniciativas midiáticas estimulam o princípio de cidadania global, além de comentar a cobertura que a Ciranda Independente faz das ações do Fórum Social Mundial.
As duas iniciativas nasceram juntas, confirmando a ascensão de ações globais de cidadania na última década. O Fórum Social Mundial teve como “marco-zero” um protesto ocorrido em Seattle, em 1999, no qual 50 mil pessoas se posicionaram contra a OMC, e que ficou conhecido como “Batalha de Seattle”. Foi o despertar da consciência. Se apresentando como um espaço de diálogo e para a elaboração de transformações de caráter social num mundo fortemente dominado pelas corporações, o Fórum acontece anualmente e reúne milhares de pessoas. O evento foi realizado pela primeira vez em 2001, na cidade de Porto Alegre, Brasil, contando com 20 mil participantes, 4.700 delegados de 117 países e 1.870 jornalistas credenciados. Em menos de dez anos, o Fórum cresceu. E muito. Só para se ter uma idéia, na última edição, em Belém, também no Brasil, compareceram cerca de 120 mil participantes. Isso sem mencionar a importância da ocorrência do Fórum Social Mundial em Bombaim, na Índia, em 2005, e em Nairóbi, no Quênia, em 2007.
E a Ciranda veio justamente para fazer a cobertura desse evento. Em vez das regras do jornalismo de mercado, ela acredita no potencial das mídias alternativas, ou seja, no exercício de uma comunicação diferente. O norte é a colaboração: uma interação ativa que, pelo compartilhamento e difusão de conteúdos, envolve diversos indivíduos ao redor do globo. “Se a informação não for distribuída, não haverá transformações”, disse Rita Freire.
A Ciranda agrupa e exibe a produção textual das edições do Fórum em diversas línguas, no portal www.ciranda.net, utilizando um software livre, ou seja, não corporativo. Não só isso, mas também documentos que exaltem a consciência de cidadania global, como matérias sobre a crise de Honduras e conflitos civis por todo o mundo. O objetivo é que essas ações de comunicação, vinculadas a um esforço de transformação, afetem o planejamento e a execução de políticas públicas.
A cada nova edição do Fórum, a Ciranda Internacional da Informação Independente amplia sua cobertura compartilhada, agregando novas mídias alternativas, e ganha maior relevância no mundo. É complementando a idéia do Fórum de que outro mundo é possível é que a Ciranda solidifica sua proposta: “Para que outro mundo seja possível, é preciso reinventar a comunicação”, diz Rita. E é esse o ponto: iniciativas como a Ciranda são vitais para a elaboração de um pensamento diferente do predominante, onde as regras do mercado, diretamente ou indiretamente, provocam pobreza, guerra e destruição, principalmente nos países menos desenvolvidos. Precisamos acordar. E rápido.
Despertar da consciência
Com o advento de tecnologias como a Internet, a sociedade vem desenvolvendo novas formas de se comunicar e se organizar mundialmente. A circulação de informações acontece cada vez mais através de vários indivíduos e instituições independentes, algo que se contrapõe à lógica do mercado, por sua vez representada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e pelos grandes veículos de comunicação. A Ciranda Internacional de Informação Independente é um exemplo de organização que acredita na comunicação compartilhada. E foi para falar sobre esse trabalho que Rita Freire, coordenadora da Ciranda, compareceu à Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no último dia 21 de setembro. A palestra fez parte da programação da disciplina de Jornalismo Internacional e Cidadania, ministrada pelo professor Gustavo Barreto. Ela explicou como as novas iniciativas midiáticas estimulam o princípio de cidadania global, além de comentar a cobertura que a Ciranda Independente faz das ações do Fórum Social Mundial.
O Fórum teve como “marco-zero” um protesto ocorrido em Seattle, em 1999, no qual 50 mil pessoas se posicionaram contra a OMC, e que ficou conhecido como “Batalha de Seattle”. Foi o despertar da consciência. Se apresentando como um espaço de diálogo e para a elaboração de transformações de caráter social num mundo fortemente dominado pelas corporações, o evento acontece anualmente e reúne milhares de pessoas. Foi realizado pela primeira vez em 2001, na cidade de Porto Alegre, Brasil, contando com 20 mil participantes, 4.700 delegados de 117 países e 1.870 jornalistas credenciados. Em menos de dez anos, o Fórum cresceu. E muito. Só para se ter uma idéia, na última edição, em Belém, também no Brasil, compareceram cerca de 120 mil participantes. Isso sem mencionar a importância da ocorrência do Fórum Social Mundial em Bombaim, na Índia, em 2005, e em Nairóbi, no Quênia, em 2007.
E a Ciranda surgiu na mesma época, justamente para fazer a cobertura desse evento, o que confirmou a ascensão de ações globais de cidadania no final da década de 90. Ao invés das regras do jornalismo de mercado, ela acredita no potencial das mídias alternativas, ou seja, no exercício de uma comunicação diferente. Uma nova forma que, segundo Marta de Araújo Pinheiro, em seu artigo “Redes: um novo projeto político de comunicação”, “amparada pelas idéias de nomadismo e resistência, surge e propõe outra maneira de pensar a função e o sentido públicos da comunicação”. (PINHEIRO, Marta de Araújo. Redes: um novo projeto político de comunicação. IN COGO, Denise; MAIA, João. Comunicação para cidadania. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2006, p.73). Redes nas quais “a proposta é política e estratégica: são sites que propõem fazer da web território de informação contextualizada, organizada em superfície por links e promover uma intelectualidade acessível a todos” (PINHEIRO, Marta de Araújo, p.74).
Portanto, o norte aqui é a colaboração: uma interação ativa que, pelo compartilhamento e difusão de conteúdos, envolve diversos indivíduos ao redor do globo. “Se a informação não for distribuída, não haverá transformações”, disse Rita Freire, durante sua palestra. Esse tipo de rede se encaixa no modelo comentado por Marta de Araújo Pinheiro, no qual o importante é o modo como se está conectado, visando descentralização e horizontalidade. Em seu artigo, ela afirma que nesta maneira de se comunicar “ambientes e linguagens independentes e criativas são construídos em rede, tendo como objetivos a divulgação e a circulação das informações, dos saberes e do conhecimento” (PINHEIRO, Marta de Araújo , p.72).
A Ciranda agrupa e exibe a produção textual das edições do Fórum em diversas línguas, no portal www.ciranda.net, utilizando um software livre, ou seja, não corporativo. Não só isso, mas também documentos que exaltem a consciência de cidadania global, como matérias sobre a crise de Honduras e conflitos civis por todo o mundo. O objetivo é que essas ações de comunicação, vinculadas a um esforço de transformação, influenciem o planejamento e a execução de políticas públicas. Algo semelhante ao que Marta de Araújo considerava sobre esse tipo de mídia independente da web, que “possui intervenção mais radical que os demais, pois busca a ruptura com o atual paradigma econômico e social não de forma utópica, mas por uma ação e uma ética bem concretas” (PINHEIRO, Marta de Araújo , p.74).
A cada nova edição do Fórum, a Ciranda Internacional da Informação Independente amplia sua cobertura compartilhada, agregando novas mídias alternativas, e ganha maior relevância no mundo. É complementando a idéia do Fórum de que outro mundo é possível é que a Ciranda solidifica sua proposta: “Para que outro mundo seja possível, é preciso reinventar a comunicação”, diz Rita Freire. Marta de Araújo encerra seu artigo comentando a necessidade dessas redes no presente e no futuro: “Para atuar nessa nova comunidade global, nem local nem virtual, são também importantes experiências de comunicação, de interatividade e de relações sociais que ultrapassem a informação sob controle, a informação-objeto e a informação-espetáculo e permitam criar uma sociedade global conectada a rede”. Portanto, é esse o ponto: iniciativas como a Ciranda são vitais para a elaboração de uma comunicação e de um pensamento diferente do predominante, onde as regras do mercado, diretamente ou indiretamente, provocam desigualdade, desinformação, pobreza, guerra e destruição, principalmente nos países menos desenvolvidos. Traduzindo: precisamos acordar. E rápido.
Bibliografia:
PINHEIRO, Marta de Araújo. Redes: um novo projeto político de comunicação. IN COGO, Denise; MAIA, João. Comunicação para cidadania. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2006.