Antonio Conselheiro_MT

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Tiago Fernandes de Lira

não lida,
27 de out. de 2009, 14:23:5227/10/2009
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Graça, Paz, Bondade e todo o Bem para todos aqueles que são alcançados por estas palavras.

 

Estou no maior assentamento rural da América Latina, provavelmente o maior do mundo, a percepção da miséria é exagerada, tanto na minha mente como no meu coração, a minha impotência fica patente diante da drástica situação do ser humano, que mesmo nos lugares mais simples e remotos estão deteriorados pelo pensamento egoísta, mesquinho e arrogante imposto pelo presente tempo.

Pessoas que sofrem diariamente com a ausência quase que completa do estado, e sofrem com as mazelas da desorganização social, são constantemente enganados por atravessadores, empresários, políticos e agentes políticos diversos, que usam da falta de cultura, conhecimento técnico – cientifico, formação escolar e da simplicidade popular, para lucrarem sem medidas sobre os esforços dos simples camponeses.

Contra pondo está realidade está o comodismo social cultural dos assentados, que aceitam a injustiça, muitos com a esperança de um dia usufruir dela, acomodados com um pedaço de chão, destroem a terra com agrotóxicos e com a derrubada quase que total da mata nativa, sem nenhuma orientação praticam a injustiça como forma de amenizar a tão injusta vida que lhes foi dada, o desequilíbrio ecológico está trazendo um grave problema para as pequenas lavouras que totalizam no montante, muito mais produção, que muitas das grandes fazendas de poucos latifundiários locais, a praga da cigarrinha destrói lavoras inteiras, sem acesso ao conhecimento cientifico enchem os solos com produtos químicos altamente contaminantes, que contaminam de forma drástica as águas subterrâneas.

As universidades locais, (como em todo o país) estão voltadas para a agroindústria e para as megas propriedades, produzindo um conhecimento cientifico de pouco proveito para a grande massa da população, com uma visão completamente equivocada de progresso, abandonam a população a própria sorte de conhecimento.

Em contra partida a bravos guerreiros e guerreiras que trans-vestidos de camponeses, fazem do pequeno pedaço de chão o oásis de produção no meio de tão desértica imensidão, homens e mulheres que buscam água, a dez quilômetros de suas propriedades, e mesmo não tendo nem mesmo uma gota de água sequer em suas terras produzem de tudo um pouco, alguns não conseguem vender as produções por causa da Burro-cracia estatal com suas leis injustas e sua fiscalização centrada no miserável.

Enquanto a religião limita-se a católicos e crentes (assembléia de Deus na sua grande maioria) que disputam à mente e o coração de fieis incultos, que sofrem a miséria do legalismo religioso, se por um lado “tudo pode”, por outro só há o “não toques e não reles”.

A miséria de coração e de esperança é a mais dolorosa de ver, pessoas completamente destituídas de sonhos, com suas esperanças dilaceradas pelo engano de movimentos políticos e por políticos sem movimentos. Homens, mulheres, jovens e crianças que demonstram na face o que é o terceiro mundo, o mundo das injustiças, apunhalados pelo facismo democrático demoníaco, disfarçado de republica, estado opressor, mentiroso e demagogo. Enquanto alguns esfaqueiam os outros pela preguiça e pelo comodismo medíocre das facilidades da ocupação de terras desapropriadas, estes últimos aproveitadores vendem suas propriedades, fruto da reforma a agrária, por preço de banana, somando assim, já, a maioria dos assentados não mais sem terras, mas sim, oportunistas, médios e grandes empresários que cercam os rios e impedem o acesso as águas.

A reflexão da realidade sobre a verdade do evangelho traz a tona, a mediocridade e ausência dos cristãos no mundo, a inércia dos Eleitos torna o mundo um lugar de Crentes Ricos e Descrestes Miseráveis, já não sei quem é que são os Bem Aventurados, os Crentes Ricos preocupados com suas teologias medíocres ou os Incrédulos Miseráveis preocupados e dobrados diante da idolatria pedindo pelo amor da Virgem me de água. Sinceramente não sei se são errados os cultos de domingo, onde uma multidão de carros importados lota os templos luxuosos, para os fiéis ouvirem sobre prosperidade, enquanto ao seu lado a outra multidão a dos miseráreis sofrem calados e amoitados!

 

Reflita.

Eu sou um destes ricos, arrogante e miserável!

 

Com amor fraternal,

Envergonhado da inércia.

Tiago Lira.           

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