Vamos questionar quem tem vinte, trinta anos de ativismo? Vamos sim

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Imaculada Virgínia

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Jun 15, 2011, 9:41:36 PM6/15/11
to A Vez dos Homens que Prestam, A Vez das Mulheres - Google, A Vez das Mulheres - Grupos, Paraíso Concreto, Contra os reis e as religiões, O Reino de Deus, Ateus e Agnósticos do Brasil, A Vez das Mulheres 2, Sexo e Conversa
Oi, gente.
O pessoal que é mais da luta, se tiver alguma coisa errada no que a gente escreveu pode falar. Mas vamos discutir uma coisa: por que é tão difícil conseguir pessoas para as boas causas?
Beijos
Imaculada e Abigail

Vamos questionar quem tem vinte, trinta anos de ativismo? Vamos sim

Imaculada Virgínia Pereira Souto e
Abigail Pereira Aranha
O que a gente vai dizer aqui não se aplica a 100% dos militantes, pensadores, especialistas, escritores. Mas quem é do meio ou é bem informado sabe que pra grande maioria isto aqui está certo. Estamos misturando os massa de manobra, os vigaristas, os que estão tentando ser vereadores, mas os que não são nada disso todo mundo sabe que faz diferença. Características de quem está ou esteve envolvido em movimentos ou causas sociais por 20, 30 anos ou mais.
  1. Deixou de ser um lutador de uma causa pra ser uma espécie de ator da Globo melhorado.
  2. Leu centenas de livros que mais de 99,9% da população nunca ouviu falar sobre coisas importantíssimas que ninguém sabe do que se trata nem que diferença que faz na sua vida cotidiana.
  3. Leu outras centenas de livros que mais de 99,9% da população nunca ouviu falar sobre coisas da sua vida cotidiana que ninguém sabia o quanto eram complicadas de entender.
  4. Tem um vocabulário que se usa em colunas chatas de revistas e jornais. Ou nem lá.
  5. Vira e mexe faz alguma referência a Dostoiévski, Schopenhauer, Václav Klaus, Reikjavik como se quem lê / ouve devesse saber do que ele(a) está falando e, se não conhece, não tivesse condições de dialogar com a autoridade.
  6. Já teve algum debate extenso com uma pessoa ou um grupo em torno de alguma picuinha, como interpretação do pensamento de um autor.
  7. Está vivendo do movimento onde participa.
  8. Está vivendo do nome que conseguiu no movimento.
  9. Está lutando contra gente que está vivendo do movimento.
  10. Entrou pra política. E pra parte podre.
  11. Cansou de dar murro em ponta de faca e nem se importa mais com a corrupção da liderança do movimento.
  12. Já chutou o balde e saiu.
  13. Já viu, criou ou se mudou para uma dissidência do movimento que queria restaurar a ética e o objetivo original da coisa toda.
  14. Conta vantagem de o que conseguiu dedicando o que pôde do tempo livre fazendo passeatas com direito a porrada de polícia ou pelejando contra grupinhos de dentro do próprio movimento.
  15. Acredita menos na vida e em um mundo melhor quando saiu do que quando entrou.
É muito fácil e totalmente razoável criticar quem tem 20 anos de sindicato, 30 anos de estudos de questões sociais, 40 anos de política. Sabe por quê? Porque existem algumas coisas que ninguém vai falar sobre a autoridade.
  1. Como é que eu faço pra entrar neste movimento?
  2. O Fulano de Tal / o Movimento X fez coisas que melhoraram muito a minha vida.
  3. O Fulano de Tal era um infeliz dos diabos, depois que ele passou a defender essas idéias além de melhorar a própria vida melhorou o mundo.
  4. Ver a vida dele(a) me ajudou a melhorar a minha.
  5. Os textos do Fulano de Tal foram muito importantes pra minha vida. (Ou: os textos do Fulano de Tal dizem muita coisa que eu já pensava e que eu achava que devia ser dita, mas foi um prazer conhecê-lo)
  6. Eu vi os textos dele(a) sobre ateísmo, anarquia, política, família, sexo, relacionamento, são muito bons, impressionante como tem coisas que são tão absurdas e com quase todo mundo acreditando.
  7. A vida sexual dele(a) deve estar ótima, porque ele(a) não é igual aqueles moralistas dos infernos.
  8. Eu agradeço por ele(a) existir.
  9. Eu queria ser como ele(a).
Moral dessa discussão toda: quem tem 20, 30, 40 anos que está publicando textos acadêmicos ou fazendo um protesto atrás do outro e tem mais nome do que frutos ou até o estado de humor é uma porcaria, alguma coisa está errada, e qualquer pessoa tem moral pra dizer.

Lisandro Hubris

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Jun 16, 2011, 6:39:28 PM6/16/11
to ateu...@googlegroups.com

Virgínia embora a maior vitória humana seja o triunfo sobre si mesmo.

Até porque, os “erros” e sofrimentos, se superados seriam um aprendizado e uma chance de recomeçar de um modo mais apropriado.

E compreender que não se sabe já seja um avanço.

Pois quando eliminarmos tudo que seria impossível, o que resta, ainda que novo, surpreendente ou polêmico, seria a verdade.

 

Primeiro 90% dos grandes vultos são esquizofrênicos, bipolares, ou indivíduos que passaram por alguma dificuldade inesquecível...

Segundo a humanidade é formada por um punhado de lúcidos, e uma massa descomunal de “Homens Médios”...

Por fim, enganam-se os que pensam que as inovações seriam aplaudidas.

Pois apesar da verdade ser o poder supremo; mudar seria um processo longo, perigoso e que ampliaria a insegurança dos prejudicados.

Até porque, tudo que é inovador, daria trabalho e teria uma forte oposição dos que não estariam preparados para as inovações.

Os crédulos tendo sido condicionados desde criança para a tarefa de decorar Leis, regras e fábulas, na hora de solucionar os problemas, eles terminariam perdendo o senso crítico.

Mas apesar das massas se fecharem e reagirem contra as mudanças. Os que anseiam evoluir ou compreender o mundo em que vivemos. Ainda que alertados de que poderiam terminar se transformando no destruidor das superstições. Jamais hesitariam em mergulhar nas profundezas anímicas da mente humana e de passar a diante o que teriam descoberto.

Abraços com gratidão e amizade

 

 

Imaculada Virgínia

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Jun 16, 2011, 6:56:02 PM6/16/11
to avezdo...@googlegroups.com, Paraíso Concreto, Contra os reis e as religiões, discursão assuntos da sociedade, Discussão de assuntos relacionados ao cotidiano, Discussão sobre solidariedade anarquismo e assuntos correlatos, Ateus e Agnósticos do Brasil
Gente muito obrigada pelos comentários e pelas idéias. E parabéns pelas mentes brilhantes.
Beijos
Imaculada e Abigail

--- Em qui, 16/6/11, Lisandro Hubris <lisandr...@yahoo.com.br> escreveu:
--
Você recebeu esta mensagem porque está inscrito no grupo de discussão "Ateus - BR".
 
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--- Em qui, 16/6/11, Victor Coelho <victorcom...@gmail.com> escreveu:

De: Victor Coelho <victorcom...@gmail.com>
Assunto: Re: [avezdoshomens:248] Vamos questionar quem tem vinte, trinta anos de ativismo? Vamos sim
Para: avezdo...@googlegroups.com
Data: Quinta-feira, 16 de Junho de 2011, 2:19

Essa é uma pergunta com várias respostas. Primeiramente, é difícil pra qualquer um ir contra uma idéia que defendeu durante muito tempo. E normalmente, as causas que defendemos vão contra coisas que acreditamos antes, vivemos antes, concordávamos antes, e depois de alguma elucidação e reflexão, concluímos estarmos errados no passado. Mas tem um elemento de orgulho e de credibilidade em jogo. Primeiro, reconhecer o quanto se era ignorante, e depois vem o crédito que temos para criticar o que outrora fazíamos. É difícil alguém sair da situação e ir para a oposição, e isso vale para muitas áreas da vida.

Outro ponto: As pessoas ao redor. Amigos, família, colegas, etc. Se todo dia eu estiver num ambiente onde todos falam que liberação sexual é coisa do demônio, que é safadeza e sem-vergonhice pura, não fico à vontade para defender o que penso nesses meios. E consequentemente, não quero que essas pessoas me vejam ou saibam que eu defendo uma idéia contrária, pois isso pode afetar o relcionamento que tenho nestes círculos (se esses relacionamentos valem à pena é uma outra questão).

Mais uma: Malas pessimistas. O mais comum de se defender algo ousado, como anarquia, extinção do capitalismo ou do próprio monetarismo, evolução tecnológica, entre outras coisas, é encontrar pessoas que vem com o clássico discurso "eu até concordo, mas isso é utopia! Nunca vai acontecer, ninguém teria interesse em fazer isso", e blá blá blá. Isso desanima. Não à ponto de largar o barco, mas é uma areiazinha na farofa.

Tem também a questão da disponibilidade para defender uma causa. Ser ativista demanda tempo, esforço, dedicação, estudo, etc. E isso é o que gera essa geração de "comunistas de Orkut". O que não vejo como um problema, necessariamente. Há muitos que se conscientizam, aceitam as idéias, concordam, mas não necessariamente se tornarão ativistas, ou passarão as idéias pra frente, ou até mesmo voltarão a tocar nestes assuntos a não ser com as pessoas que lhes abriram os olhos. Mas se pelo menos passarem a agir de forma diferente, ainda que não "contaminando" quem está ao seu redor, já é pelo menos mais um pra remar a favor, e menos um pra atrapalhar.

Esses entre outros motivos. Realmente defender idéias não é fácil, mas é necessário. Ao longo da história, as grandes mudanças nas sociedades não foram conquistadas pelas multidões, mas pelas idéias e atitudes de alguns poucos. Então, pessoalmente até penso que essa idéia de conscientizar as pessoas de nossas causas (sejam quais forem) é um esforço válido, mas não o vejo como um esforço eficiente se não for direcionado para as pessoas certas. Nem todas as causas devem ser difundidas em qualquer lugar, para atingir a qualquer um, pois além do risco de perda de tempo, ainda se corre o risco de um efeito contrário ao desejado.

Mas, mais uma vez, achei o texto muito interessante. Não tenho tantos anos assim como ativista (aliás, nem de idade), mas já identifiquei alí muitas situações com as quais já flertei com elas.

Um beijo!

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