Olá Alexandre e colegas, Cada projeto contratado a "preço fechado" que falha de alguma forma (estourando orçamento ou prazo ou não entregando o escopo esperado) é uma oportunidade para que a empresa discuta este modelo de contratação. Uma oportunidade que deveria ser melhor aproveitada por todos, inclusive ou principalmente pelos prestadores de serviços. Segue uma sugestão (que, reconheço, não é de fácil aplicação): Das três pontas do triângulo (prazo, escopo e custo), o cliente só pode fixar uma. Ele escolhe: .O 'time to market', a data, é fator crítico de sucesso. Então o cliente deve aceitar uma flexibilização de custo e escopo; .O orçamento tá fechadíssimo, o custo é 'imexível' (sic). Então o cliente deve aceitar alguma variação no prazo e/ou escopo. .A solução só faz sentido com todas as funcionalidades entregues - não se mexe no escopo. Então o cliente deve se contentar com prazos e custos variáveis. A flexibilização de duas pontas não significa um campo no contrato totalmente aberto. É indicado que apresentemos *estimativas*, tentando obedecer três regrinhas: 1. Alertando o cliente que "estimativa" não é sinônimo de profecia. Este lembrete funciona bem quando é registrado com fonte sem serifa, corpo 40 e cor vermelha; 2. Exibindo um range (pior e melhor cenário), nunca um número absoluto; e 3. Mostrando compromisso em rever e refinar as *estimativas* ao término de cada iteração. Se atentarmos para o fato de que software não é um jogo de "tudo ou nada" (que existem requisitos mais e menos fundamentais para a realização dos objetivos do negócio), veremos que na maioria das vezes será mais fácil flexibilizar o escopo do que prazo e custos. Acho mais fácil vender assim também. Mike Cohn apresenta uma sugestão mais "boazinha" e sofisticada que a minha no seguinte post: http://blog.mountaingoatsoftware.com/using-a-one-handed-clock-to-convey-project-goals
Discordo.
Pelo PMBOK 2008, os projetos passam a ter 5 RESTRIÇÕES: Escopo, Prazo, Custo, Qualidade e Riscos. Cada uma delas podem ser alteradas em função de outras. Um projeto pode assumir mais riscos do que outro. Um cliente pode querer mais qualidade em um projeto e menos em outro. Assumir riscos e ter mais ou menos qualidade impacta diretamente em escopo, custo e prazo.
Ter menos orçamento impacta em diminuir o escopo ou diminuir prazo ou diminuir qualidade e diretamente pode aumentar os riscos do projeto.
Tudo deve ser avaliado e APROVADO pelo cliente!
Rodrigo Almeida de Oliveira, CBTS®
Gerente de Projetos/Gerente de Qualidade e Processos
Certificado em Testes de Software - CBTS
Caro Paulo, qualidade tem custo. E tem risco também.
Se eu sou cliente e quero uma Ferrari mas não tenho dinheiro para pagar, logo tenho duas opções:
1) Pagar pela Ferrari arrumando o dinheiro de alguma forma
2) Abrir mão da qualidade e ficar com o Uno-1996, que é o dinheiro que eu tenho para fazer o projeto.
Para fazer uma Ferrari terei mais riscos do que comprar um uno-1996. E para aceitar/evitar/mitigar os riscos da opção 1 terei mais custos do que na opção 2.
É simples assim. É uma questão de escolha. Se está no PMBOK é porque o restante das pessoas, tirando vc e a torcida do Corinthians e o Cohn, aceitam o PMBOK como um guia de melhores práticas para gestão de projetos. Melhores práticas disseminadas pelos melhores profissionais de gerência de projetos do mundo e que tem feito o sucesso dos projetos aumentarem nos últimos anos.
Mesmo não podendo pagar, vc faria a Ferrari para o cliente que só tem como pagar pelo UNO-1996? Assumiria estes riscos?
Eu não.
Quem assume este projeto nestas condições para mim é irresponsável.
Atc.
Rodrigo
Permitam-me uma observação, risco em latim significa ousar.
Ousar num projeto com custo, prazo e escopo definidos e fechados não faz sentido, a menos que queira rever a qualidade.
Um abraço, Sérgio
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Então, é isso que eu quero dizer. Em função da qualidade melhor que é a Ferrari (escopo), vamos gastar mais. Por se ter um escopo menor (UNO) vamos gastar menos com qualidade.
O que não dá é exigir de um UNO a qualidade que se tem numa Ferrari e querer pagar somente pelo escopo do UNO!
Não dá para ter um escopo com muitos requisitos (Ferrari) e querer pagar somente pelo escopo do UNO!
Paulo, vou pesquisar mais estes números.
Mas em clientes meus que gerenciam projetos baseados no PMBOK, houve aumento de mais de 70% de sucesso nos projetos que eles conduziram. Projetos de desenvolvimento de software.
Aqui na empresa implantamos uma metodologia de GP aliada a uma metodologia para desenvolvimento de software, que reduziu em 50% o número de erros em produção nos clientes.
"Um cliente pode querer mais qualidade em um projeto e menos em outro."
Pessoal,
Só dando um pitaco no assunto, acho que houve uma diferença na conceituação de “Qualidade” neste caso... Só para ver se estou entendendo os pontos de vista colocados na discussão:
Rodrigo, quando você fala de “Qualidade”, o que está se falando é que um sistema terá mais ou menos recursos que diferenciarão o produto. Só alterando um pouco sua analogia do Uno e da Ferrari, seria como se o usuário quisesse comprar um sistema A desenvolvido em SOA, com as últimas tecnologias de desenvolvimento de interfaces (AJAX, etc.) e todo o pacote do melhor banco de dados, mas só tem dinheiro prá comprar este sistema A desenvolvido em linguagens arcaicas com bancos de dados ultrapassados. Entendi direito?
Neste caso, acho que todos concordamos com sua afirmação (não dá prá cobrar o valor de um sistema na linguagem arcaica e entregar um SOA todo moderno), mas neste caso a sua “Qualidade” seria o escopo, como o Jean e o Paulo já comentaram.
A Qualidade, no caso, é garantir que um sistema saia com o mínimo de defeitos possível, passando por etapas de testes integrados, testes funcionais, etc.. Neste caso não é nem um pouco recomendado abrir mão da Qualidade. O mínimo que o cliente espera quando pede um sistema, não importando qual seja, é ter um produto com nenhuma falha (mas sabemos que não funciona assim). Acho que todos sabemos as consequências de entregar um sistema “bugado” para o cliente.
Espero ter contribuído de alguma forma.
Abraços,
Ricardo Agulhari
Não deveria, mas é. Pelo menos comigo, eu negocio o nível de qualidade a todo momento. E deixo claro os riscos que as escolhas implicam e os custos que teremos. Juntamente com a mudança de escopo e prazo que serão necessários para atender aos requisitos de qualidade.
Teve projeto que o cliente pagou para NÃO testar o software gerado como produto do projeto. Segundo ele, não era necessário pois ele iria fazer os testes. Falei que não era a melhor escolha, que iria ficar mais caro...
Ele insistiu e depois que deu errado, na primeira entrega, ele solicitou a mudança no projeto quanto ao escopo e prazo para realização dos testes. Ele pagou mais por mais qualidade!
Atc.
Rodrigo
É isto mesmo. Qualidade está ligada ao escopo sim. E também a prazos e custos do projeto. Posso contratar um estagiário para fazer os testes ou um engenheiro de testes sênior. Vai depender do prazo/escopo/custo/riscos do projeto!
Mas podemos ter no projeto pessoas com mais experiência para fazer os testes. Ou não. Vai depender do nível de qualidade que o cliente quer. Posso ter um campo de prova em Maranello para testar meu Uno. Certo? E isto custa muito caro, certo?
Ou simplesmente dar uma volta em torno da Fiat aqui em Betim-MG e pronto! Tá testado! E para uma amostra apenas. Não para todos os carros fabricados.
O que eu quero deixar claro é que temos sempre que balancear as cinco variáveis: ESCOPO/CUSTO/PRAZO/RISCO/QUALIDADE.
Muitas vezes o escopo é o mesmo. Uma geladeira por exemplo. Uma é Brastemp! Outra é xing-ling, feita por escravos na China. Ambas tem os mesmos itens de escopo e requisitos. Qual vc acha que tem melhor qualidade? A chnesa?
Atc.
Rodrigo
Não concordo com Prazo * Recursos nesta relação inversamente proporcional, já que muitas vezes o fato de colocar mais pessoas para fazer algo não quer dizer que aquilo será feito mais rápido, isso já disse nosso amigo Fred Brooks.
Ronan,Como eu disse, a do Cohn é mais sofisticada e 'boazinha'. Mas acho que a minha pode representar um bom ponto de partida. Mais seguro, eu diria.
Melhores práticas disseminadas pelos melhores profissionais de gerência de projetos do mundo e que tem feito o sucesso dos projetos aumentarem nos últimos anos.
Caro Paulo, qualidade tem custo. E tem risco também.
Se eu sou cliente e quero uma Ferrari mas não tenho dinheiro para pagar, logo tenho duas opções:
1) Pagar pela Ferrari arrumando o dinheiro de alguma forma
2) Abrir mão da qualidade e ficar com o Uno-1996, que é o dinheiro que eu tenho para fazer o projeto.
Para fazer uma Ferrari terei mais riscos do que comprar um uno-1996. E para aceitar/evitar/mitigar os riscos da opção 1 terei mais custos do que na opção 2.
É simples assim. É uma questão de escolha. Se está no PMBOK é porque o restante das pessoas, tirando vc e a torcida do Corinthians e o Cohn, aceitam o PMBOK como um guia de melhores práticas para gestão de projetos. Melhores práticas disseminadas pelos melhores profissionais de gerência de projetos do mundo e que tem feito o sucesso dos projetos aumentarem nos últimos anos.
Mesmo não podendo pagar, vc faria a Ferrari para o cliente que só tem como pagar pelo UNO-1996? Assumiria estes riscos?
Eu não.
Quem assume este projeto nestas condições para mim é irresponsável.
Atc.
Rodrigo
From: an...@googlegroups.com [mailto:an...@googlegroups.com] On Behalf Of Paulo Vasconcellos
Sent: quinta-feira, 29 de outubro de 2009 12:25
Subject: [an.br :: 4479] Re: Prazo, Custo e Escopo
Olá Rodrigo,
Existem visões e visões, né? Não é por acaso ou birra que não gosto muito do PMBoK. Sigo com o Cohn (e a torcida do Corinthians) ao não negociar a *qualidade*. E não vejo como os riscos entram na equação. Riscos eu combato diariamente, para não ser derrubado por eles. Assumimos mais ou menos riscos dependendo da variável fixada, é certo. Mas o que negociamos, afinal?
Abraços,
Paulo
2009/10/29 Rodrigo <rodrigoalmei...@gmail.com>
Discordo.
Pelo PMBOK 2008, os projetos passam a ter 5 RESTRIÇÕES: Escopo, Prazo, Custo, Qualidade e Riscos. Cada uma delas podem ser alteradas em função de outras. Um projeto pode assumir mais riscos do que outro. Um cliente pode querer mais qualidade em um projeto e menos em outro. Assumir riscos e ter mais ou menos qualidade impacta diretamente em escopo, custo e prazo.
Ter menos orçamento impacta em diminuir o escopo ou diminuir prazo ou diminuir qualidade e diretamente pode aumentar os riscos do projeto.
Tudo deve ser avaliado e APROVADO pelo cliente!
Rodrigo Almeida de Oliveira, CBTS®
Gerente de Projetos/Gerente de Qualidade e Processos
Certificado em Testes de Software - CBTS
http://www.linkedin.com/in/raoliveira
From: an...@googlegroups.com [mailto:an...@googlegroups.com] On Behalf Of Paulo Vasconcellos
Sent: quinta-feira, 29 de outubro de 2009 12:04
To: an...@googlegroups.com
Subject: [an.br :: 4477] Re: Prazo, Custo e Escopo
Pois é, Jean
Qualidade não é ou não deveria ser uma variável nessa equação.
Abraços,
Paulo
Não deveria, mas é. Pelo menos comigo, eu negocio o nível de qualidade a todo momento. E deixo claro os riscos que as escolhas implicam e os custos que teremos. Juntamente com a mudança de escopo e prazo que serão necessários para atender aos requisitos de qualidade.
Acho que errei na minha afirmação sobre o sucesso dos projetos. Peço desculpas a todos.
Mas aqui na empresa após usarmos metodologia de GP baseada no PMI, passamos a ter sucessos no projetos, entregando no prazo, com o custo e escopo e nível de qualidade acordado com o cliente.
Atc.
Rodrigo
Caro Giovanni. Estamos falando de projetos de desenvolvimento de algum produto.
Práticas médicas são processos definidos e não está em questão aqui processos e sim qualidade em projetos. Uma vez definidos os processos (muitas vezes são produtos de um projeto!!!) devem ser cumpridos. E mesmo assim existe o risco de ter contaminação. O nível de risco será maior ou menor a partir do que está definido como nível de qualidade do hospital . O hospital Souza Aguiar no Rio tem um nível de qualidade. O Albert Einstein em São Paulo tem outro muito maior. E um custo para o paciente muito maior também. Eu posso querer ser operado no Souza Aguiar, pois é pelo SUS e é mais barato. Eu sou o cliente. Eu escolho. E assumo os riscos. E assino um termo de responsabilidade ISENTANDO O MÉDICO de problemas que eu posso ter devido a contaminação hospitalar.
Sucesso em projetos também é atender bem o cliente, entregar o que ele quer e somente o que ele quer. O PMI diz isto. O Scrum faz isto na prática.
Clientes querem níveis de qualidade. E um nível maior ou menor implica em ter riscos. É disto que estou falando. O cliente tem que saber destes riscos e estar ciente dos impactos caso o risco aconteça.
Se um projeto tem um escopo, custo e prazo para cumprir , vc ficaria investindo em qualidade indefinidamente? Nos projetos que você trabalha, sempre tem os melhores profissionais existentes para a realização das atividades? Se não estiverem disponíveis vc os contrata mesmo que isto estoure os custos do projeto, sem precisar informar o cliente e ter o aval dele? Simplesmente manda a conta da projeto com o valor da qualidade QUE VOCÊ ACHA que é a melhor para o cliente ? E o seu cliente concorda em alterar o custo do projeto por estes motivos? E se não concordar? O que vc faz? Paga os custos do SEU BOLSO?
Atc.
Rodrigo