Prazo, Custo e Escopo

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Paulo Vasconcellos

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Oct 28, 2009, 4:22:35 PM10/28/09
to Análise de Negócios
Oi turma,

Acabei de participar de uma thread interessante lá no grupo "Visão Ágil". Achei interessante compartilhar com vocês o que escrevi lá. A questão era mais ou menos a seguinte: como vender um projeto ágil? Nas entrelinhas: "como brigar com essa teimosia chamada *preço fechado*"? Segue minha resposta:

Olá Alexandre e colegas, Cada projeto contratado a "preço fechado" que falha de alguma forma (estourando orçamento ou prazo ou não entregando o escopo esperado) é uma oportunidade para que a empresa discuta este modelo de contratação. Uma oportunidade que deveria ser melhor aproveitada por todos, inclusive ou principalmente pelos prestadores de serviços. Segue uma sugestão (que, reconheço, não é de fácil aplicação): Das três pontas do triângulo (prazo, escopo e custo), o cliente só pode fixar uma. Ele escolhe: .O 'time to market', a data, é fator crítico de sucesso. Então o cliente deve aceitar uma flexibilização de custo e escopo; .O orçamento tá fechadíssimo, o custo é 'imexível' (sic). Então o cliente deve aceitar alguma variação no prazo e/ou escopo. .A solução só faz sentido com todas as funcionalidades entregues - não se mexe no escopo. Então o cliente deve se contentar com prazos e custos variáveis. A flexibilização de duas pontas não significa um campo no contrato totalmente aberto. É indicado que apresentemos *estimativas*, tentando obedecer três regrinhas: 1. Alertando o cliente que "estimativa" não é sinônimo de profecia. Este lembrete funciona bem quando é registrado com fonte sem serifa, corpo 40 e cor vermelha; 2. Exibindo um range (pior e melhor cenário), nunca um número absoluto; e 3. Mostrando compromisso em rever e refinar as *estimativas* ao término de cada iteração. Se atentarmos para o fato de que software não é um jogo de "tudo ou nada" (que existem requisitos mais e menos fundamentais para a realização dos objetivos do negócio), veremos que na maioria das vezes será mais fácil flexibilizar o escopo do que prazo e custos. Acho mais fácil vender assim também. Mike Cohn apresenta uma sugestão mais "boazinha" e sofisticada que a minha no seguinte post: http://blog.mountaingoatsoftware.com/using-a-one-handed-clock-to-convey-project-goals
Abraços,

Paulo


Ronan Lucio

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Oct 28, 2009, 4:50:31 PM10/28/09
to an...@googlegroups.com
Paulo,

Excelente sugestão!

Valeu,
Ronan

2009/10/28 Paulo Vasconcellos <pfvasco...@gmail.com>

Paulo Vasconcellos

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Oct 28, 2009, 4:56:18 PM10/28/09
to an...@googlegroups.com
Ronan,

Como eu disse, a do Cohn é mais sofisticada e 'boazinha'. Mas acho que a minha pode representar um bom ponto de partida. Mais seguro, eu diria.

Abraços e obrigado.

Paulo

2009/10/28 Ronan Lucio <ronan...@gmail.com>

Jean Streleski

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Oct 29, 2009, 9:41:31 AM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Bela sugestão.

Na minha opinião existe uma quarta ponta. Mas que não deveria ser uma das pontas. É a QUALIDADE.

Muitas empresas ao tentar atender as três pontas, acabam neglicengiando a qualidade, gerando soluçõões caóticas, de díficil manutenção e de péssima escalabilidade. Digo isto baseado em fatos de empresas que já trabalhei e de quem já contratei projetos.


No mais, que as empresas nunca se esqueçam que qualidade é commodity. Deve fazer parte de qualquer atividade a ser realizada em um projeto.

Abraço

2009/10/28 Paulo Vasconcellos <pfvasco...@gmail.com>



--
Jean Rozan Streleski
jean.r.s...@gmail.com
msn: jea...@hotmail.com

Jean Streleski

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Oct 29, 2009, 9:45:11 AM10/29/09
to an...@googlegroups.com
(Respondi antes de ver o link que o Paulo sugeriu).

Reforça o que disse quando ele escreve:

Quality is placed in the middle under the premise that we don’t mess with quality.

Paulo Vasconcellos

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Oct 29, 2009, 10:03:54 AM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Pois é, Jean

Qualidade não é ou não deveria ser uma variável nessa equação. 

Abraços,

Paulo

Rodrigo

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Oct 29, 2009, 10:17:07 AM10/29/09
to an...@googlegroups.com

Discordo.

Pelo PMBOK 2008, os projetos passam a ter 5 RESTRIÇÕES: Escopo, Prazo, Custo, Qualidade e Riscos. Cada uma delas podem ser alteradas em função de outras. Um projeto pode assumir mais riscos do que outro. Um cliente pode querer mais qualidade em um projeto e menos em outro. Assumir riscos e ter mais ou menos qualidade impacta diretamente em escopo, custo e prazo.

Ter menos orçamento impacta em diminuir o escopo ou diminuir prazo ou diminuir qualidade e diretamente pode aumentar os riscos do projeto.

 

 

Tudo deve ser avaliado e APROVADO pelo cliente!

 

 

Rodrigo Almeida de Oliveira, CBTS®

Gerente de Projetos/Gerente de Qualidade e Processos

Certificado em Testes de Software - CBTS

http://www.linkedin.com/in/raoliveira

Paulo Vasconcellos

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Oct 29, 2009, 10:25:13 AM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Olá Rodrigo,

Existem visões e visões, né? Não é por acaso ou birra que não gosto muito do PMBoK. Sigo com o Cohn (e a torcida do Corinthians) ao não negociar a *qualidade*. E não vejo como os riscos entram na equação. Riscos eu combato diariamente, para não ser derrubado por eles. Assumimos mais ou menos riscos dependendo da variável fixada, é certo. Mas o que negociamos, afinal?

Abraços,

Paulo 

2009/10/29 Rodrigo <rodrigoalmei...@gmail.com>

Daniel Assad

unread,
Oct 29, 2009, 10:38:42 AM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Rodrigo, acredito que a opinião do Jean é focada no caso em que uma
empresa contratada aceita, aprova e etc todas os requisitos do cliente
mas falha na execução do mesmo.

Não importa o quanto se deixa claro os riscos, ou o valor combinado
está abaixo do que realmente vale, o cliente sempre espera qualidade.

Do lado da empresa contratada, o que falta na minha opinião é admitir
que em determinados casos você simplesmente não tem a estrutura para
garantir qualidade e o justo a se fazer é talvez tercerizar a QA. Do
lado do cliente, hoje começo a ver que QA é cláusula de muitos
contratos. Ex: Após a entrega do módulo X, a empresa Y realizará
testes e validações e o pagamento do mesmo se deve ao aceite ou não do
módulo por parte da empresa Y.

Pessoal, esta é minha primeira contribuição às discussões do grupo.
Estou gostando muito da qualidade dos assuntos debatidos. Ontém passei
horas lendo o histórico!

Atenciosamente,
Daniel


2009/10/29 Rodrigo <rodrigoalmei...@gmail.com>:
> Discordo.
>
> Pelo PMBOK 2008, os projetos passam a ter 5 RESTRIÇÕES: Escopo, Prazo,
> Custo, Qualidade e Riscos. Cada uma delas podem ser alteradas em função de
> outras. Um projeto pode assumir mais riscos do que outro. Um cliente pode
> querer mais qualidade em um projeto e menos em outro. Assumir riscos e ter
> mais ou menos qualidade impacta diretamente em escopo, custo e prazo.
>
> Ter menos orçamento impacta em diminuir o escopo ou diminuir prazo ou
> diminuir qualidade e diretamente pode aumentar os riscos do projeto.
>
>
>
>
>
> Tudo deve ser avaliado e APROVADO pelo cliente!
>
>
>
>
>
> Rodrigo Almeida de Oliveira, CBTS®
>
> Gerente de Projetos/Gerente de Qualidade e Processos
>
> Certificado em Testes de Software - CBTS
>
> http://www.linkedin.com/in/raoliveira
>
>
>
>
>
> From: an...@googlegroups.com [mailto:an...@googlegroups.com] On Behalf Of
> Paulo Vasconcellos
> Sent: quinta-feira, 29 de outubro de 2009 12:04
> To: an...@googlegroups.com
> Subject: [an.br :: 4477] Re: Prazo, Custo e Escopo
>
>
>
> Pois é, Jean
>
>
>
> Qualidade não é ou não deveria ser uma variável nessa equação.
>
>
>
> Abraços,
>
>
>
> Paulo
>
> 2009/10/29 Jean Streleski <jrs...@gmail.com>
>
> (Respondi antes de ver o link que o Paulo sugeriu).
>
> Reforça o que disse quando ele escreve:
>
> Quality is placed in the middle under the premise that we don’t mess with
> quality.
>
>
> 2009/10/29 Jean Streleski <jrs...@gmail.com>

Rodrigo

unread,
Oct 29, 2009, 10:50:04 AM10/29/09
to an...@googlegroups.com

Caro Paulo, qualidade tem custo. E tem risco também.

Se eu sou cliente e quero uma Ferrari mas não tenho dinheiro para pagar, logo tenho duas opções:

1)      Pagar pela Ferrari arrumando o dinheiro de alguma forma

2)      Abrir mão da qualidade e ficar com o Uno-1996, que é o dinheiro que eu tenho para fazer o projeto.

 

Para fazer uma Ferrari terei mais riscos do que comprar um uno-1996. E para aceitar/evitar/mitigar os riscos da opção 1 terei mais custos do que na opção 2.

 

É simples assim. É uma questão de escolha. Se está no PMBOK  é porque o restante das pessoas, tirando vc e a torcida do Corinthians e o Cohn, aceitam o PMBOK como um guia de melhores práticas para gestão de projetos. Melhores práticas disseminadas pelos melhores profissionais de gerência de projetos do mundo e que tem feito o sucesso dos projetos aumentarem nos últimos anos.

 

Mesmo não podendo pagar, vc faria a Ferrari para o cliente que só tem como pagar pelo UNO-1996? Assumiria estes riscos?

Eu não.

Quem assume este projeto nestas condições para mim é irresponsável.

 

Atc.

Rodrigo

Paulo Vasconcellos

unread,
Oct 29, 2009, 11:03:12 AM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Rodrigo,

Infelizmente, e pra variar, tô saindo de viagem. O papo está muito bom e não queria me afastar. No final do dia eu tentarei retornar.

Mas dá tempo para fazer um comentário: ao trocar a Ferrari por um Uno você alterou o escopo, não a qualidade. 

E não leve a mal meu comentário sobre o PMBoK. Eu deveria surrupiar a conclusão do Yoshima: o problema não está no BoK e sim no 'mind-set' que ele de alguma forma ajudou a consolidar. Se for o caso, mais tarde a gente retoma o tema.

Dá tempo pra mais uma: vc tem números (sobre sucessos) para completar sua afirmação? Pq os números que eu conheço, para projetos de software especificamente, seguem ruins e praticamente os mesmos há décadas.

Sérgio Cintra

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Oct 29, 2009, 11:14:03 AM10/29/09
to an...@googlegroups.com

Permitam-me uma observação, risco em latim significa ousar.

 

Ousar num projeto com custo, prazo e escopo definidos e fechados não faz sentido, a menos que queira rever a qualidade.

 

Um abraço, Sérgio



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Jean Streleski

unread,
Oct 29, 2009, 11:27:18 AM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Acredito que ao trocar Ferrari pelo Uno alterou o escopo e não a qualidade.

Um tinha motor de 450cv outro de 67cv. Se ambos funcionam, então, ambos tem qualidade.

São dois carros, cada um com seu escopo.

Agora eu me sentiria irresponsável ao me propor fazer um UNO que deveria ter 67CV e fazer ele ter uns 30CV só.

É isto que acredito que não possa ser variável.



2009/10/29 Rodrigo <rodrigoalmei...@gmail.com>

Rodrigo

unread,
Oct 29, 2009, 11:40:16 AM10/29/09
to an...@googlegroups.com

Então, é isso que eu quero dizer. Em função da qualidade melhor que é a Ferrari (escopo), vamos gastar mais. Por se ter um escopo menor (UNO) vamos gastar menos com qualidade.

O que não dá é exigir de um UNO a qualidade que se tem numa Ferrari e querer pagar somente pelo escopo do UNO!

Não dá para ter um escopo com muitos requisitos (Ferrari) e querer pagar somente pelo escopo do UNO!

Rodrigo

unread,
Oct 29, 2009, 11:44:02 AM10/29/09
to an...@googlegroups.com

Paulo, vou pesquisar mais estes números.

Mas em clientes meus que gerenciam projetos baseados no PMBOK, houve aumento de mais de 70% de sucesso nos projetos que eles conduziram. Projetos de desenvolvimento de software.

Aqui na empresa implantamos uma metodologia de GP aliada a uma metodologia para desenvolvimento de software, que reduziu em 50% o número de erros em produção nos clientes.

Ronan Lucio

unread,
Oct 29, 2009, 11:49:48 AM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Rodrigo,


"Um cliente pode querer mais qualidade em um projeto e menos em outro."

Esse é o tipo de cliente que vai querer pagar barato e depois vai sair falando mal da empresa.
Entendo e respeito a sua opinião, porém, penso da mesma forma que o Jean.

"Qualidade não deveria ser negociável."

[]s
Ronan

Jean Streleski

unread,
Oct 29, 2009, 12:05:06 PM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Mantendo a analogia eu diria que:

Se o  cliente quer um UNO ele terá  escopo de UNO e terá toda as qualidades de UNO (pobres proprietários de UNO ! hehe).

Ou seja, o escopo do UNO diz que não tem retrovisor elétrico mas tem um retrovisor manual. Legal! Mas o retrovisor manual não pode vir sem o espelho e o ajuste interno (Qualidade não variou).

O cliente pode pedir pra tirar o retrovisor do lado direito e esquerdo? Pode..vai variar o escopo.

A empresa que vende o UNO pode aceitar entregar um automóvel sem pelo menos o do lado esquerdo? NÃO. Deve indicar ao comprador que isto é essencial. E caso o cliente insista, NÃO vender o UNO mas sim uma bicicleta =)



2009/10/29 Rodrigo <rodrigoalmei...@gmail.com>

Ronan Lucio

unread,
Oct 29, 2009, 12:13:28 PM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Jean,

E mantendo a analogia.


2009/10/29 Jean Streleski <jrs.net@gmail.com>
Se o  cliente quer um UNO ele terá  escopo de UNO e terá toda as qualidades de UNO (pobres proprietários de UNO ! hehe).

Se a empresa optar por um UNO com ar-condicionado, a qualidade do "build" diz que quando alguém ligar o ar, ele irá funcionar.
Não vai dar bug por falta de testes.

Os botões de liga e desliga vão estar devidamente posicionados conforme o planejado, para um alcance rápido e prático (requisitos não-funcionais), embora o todo tenha menos recursos.

Isso é qualidade.

[]s
Ronan

Ricardo Daniel Agulhari

unread,
Oct 29, 2009, 12:18:34 PM10/29/09
to an...@googlegroups.com

Pessoal,

 

Só dando um pitaco no assunto, acho que houve uma diferença na conceituação de “Qualidade” neste caso... Só para ver se estou entendendo os pontos de vista colocados na discussão:

 

Rodrigo, quando você fala de “Qualidade”, o que está se falando é que um sistema terá mais ou menos recursos que diferenciarão o produto. Só alterando um pouco sua analogia do Uno e da Ferrari, seria como se o usuário quisesse comprar um sistema A desenvolvido em SOA, com as últimas tecnologias de desenvolvimento de interfaces (AJAX, etc.) e todo o pacote do melhor banco de dados, mas só tem dinheiro prá comprar este sistema A desenvolvido em linguagens arcaicas com bancos de dados ultrapassados. Entendi direito?

 

Neste caso, acho que todos concordamos com sua afirmação (não dá prá cobrar o valor de um sistema na linguagem arcaica e entregar um SOA todo moderno), mas neste caso a sua “Qualidade” seria o escopo, como o Jean e o Paulo já comentaram.

 

A Qualidade, no caso, é garantir que um sistema saia com o mínimo de defeitos possível, passando por etapas de testes integrados, testes funcionais, etc.. Neste caso não é nem um pouco recomendado abrir mão da Qualidade. O mínimo que o cliente espera quando pede um sistema, não importando qual seja, é ter um produto com nenhuma falha (mas sabemos que não funciona assim).  Acho que todos sabemos as consequências de entregar um sistema “bugado” para o cliente.

 

Espero ter contribuído de alguma forma.

 

Abraços,

Ricardo Agulhari

Rodrigo

unread,
Oct 29, 2009, 12:24:32 PM10/29/09
to an...@googlegroups.com

Não deveria, mas é. Pelo menos comigo, eu negocio o nível de qualidade a todo momento. E deixo claro os riscos que as escolhas implicam e os custos que teremos. Juntamente com a mudança de escopo e prazo que serão necessários para atender aos requisitos de qualidade.

 

Teve projeto que o cliente pagou para NÃO testar o software gerado como produto do projeto. Segundo ele, não era necessário pois ele iria fazer os testes. Falei que não era a melhor escolha, que iria ficar mais caro...

Ele insistiu e depois que deu errado, na primeira entrega, ele solicitou a mudança no projeto quanto ao escopo e prazo para realização dos testes. Ele pagou mais por mais qualidade!

 

Atc.

Rodrigo

Rodrigo

unread,
Oct 29, 2009, 12:31:43 PM10/29/09
to an...@googlegroups.com

É isto mesmo. Qualidade está ligada ao escopo sim. E também a prazos e custos do projeto. Posso contratar um estagiário para fazer os testes ou um engenheiro de testes sênior. Vai depender do  prazo/escopo/custo/riscos do projeto!

Mas podemos ter no projeto pessoas com mais experiência para fazer os testes. Ou não. Vai depender do nível de qualidade que o cliente quer. Posso ter um campo de prova em Maranello para testar meu Uno. Certo? E isto custa muito caro, certo?

Ou simplesmente dar uma volta em torno da Fiat aqui em Betim-MG e pronto! Tá testado! E para uma amostra apenas. Não para todos os carros fabricados.

 

O que eu quero deixar claro é que temos sempre que balancear as cinco variáveis: ESCOPO/CUSTO/PRAZO/RISCO/QUALIDADE.

 

Muitas vezes o escopo é o mesmo. Uma geladeira por exemplo. Uma é Brastemp! Outra é xing-ling, feita por escravos na China. Ambas tem os mesmos itens de escopo e requisitos. Qual vc acha que tem melhor qualidade? A chnesa?

 

Atc.

Rodrigo

Tales Costa

unread,
Oct 29, 2009, 12:34:12 PM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Eu gosto da fórmula:

(Escopo * Qualidade) / (Prazo * Recursos)= k

Um complicador comum é que muitas vezes os
conceitos/definições/entendimentos do que é Escopo .vs. o que é
Qualidade são diferentes e difusos entre os diversos stakeholders.
Como se pode observar nos posts aqui.

[ ]´s

Tales Costa



2009/10/29 Paulo Vasconcellos <pfvasco...@gmail.com>:
>> 2009/10/29 Jean Streleski <jrs...@gmail.com>
>>
>> (Respondi antes de ver o link que o Paulo sugeriu).
>>
>> Reforça o que disse quando ele escreve:
>>
>> Quality is placed in the middle under the premise that we don’t mess with
>> quality.
>>
>> 2009/10/29 Jean Streleski <jrs...@gmail.com>

Gerson Dias

unread,
Oct 29, 2009, 12:42:04 PM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Tales,

Não concordo com Prazo * Recursos nesta relação inversamente proporcional, já que muitas vezes o fato de colocar mais pessoas para fazer algo não quer dizer que aquilo será feito mais rápido, isso já disse nosso amigo Fred Brooks.

E tem aquela velha história que muitos gerentes teimam em não entender que colocar três mulheres juntas não fará com que o filho nasça em três meses!

De qualquer forma, meu pitaco é que Qualidade deve vir do profissionalismo da empresa e de cada profissional envolvido. Uma empresa não quer q eu teste o software que eu faço? ok, então não aceito o projeto. Se sou fornecedor de software, minha missão é "entregar software funcionando", ou é isso, ou não é nada. Deve haver essa ética nas relações. Sendo assim, sim, qualidade é inegociável!




2009/10/29 Tales Costa <tal...@gmail.com>

Gustavo Tavares

unread,
Oct 29, 2009, 12:43:40 PM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Na mosca Tales,

O pessoal limita alguns conceitos em virtude do que está na moda e esquece de considerar o que acontece no dia-a-dia das empresas e das equipes. Neste tópico mesmo estamos vendo isto. Opiniões contraponto as práticas ágeis com o que é prescrito no PMBoK. Como se algum dia houvesse o mínimo conflito entre as duas abordagens.

[]'s

Gustavo Tavares
Lkdin: www.linkedin.com/in/gustavares
Via6: www.via6.com/gustavares


2009/10/29 Tales Costa <tal...@gmail.com>

Ronan Lucio

unread,
Oct 29, 2009, 1:08:01 PM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Gerson / Tales,

2009/10/29 Gerson Dias <gerson....@gmail.com>

Não concordo com Prazo * Recursos nesta relação inversamente proporcional, já que muitas vezes o fato de colocar mais pessoas para fazer algo não quer dizer que aquilo será feito mais rápido, isso já disse nosso amigo Fred Brooks.

@Gerson

Eu entendi que o Gerson estaria se referindo a Requisitos, como Recursos.
Ou seja, quanto mais Requisitos, mair o prazo.

@Tales

Poderias ser mais claro na tua colocação?
Recursos = Recursos Humanos ou Recursos de Software / Requisitos?

[]s
Ronan

Ronan Lucio

unread,
Oct 29, 2009, 1:31:04 PM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Paulo

2009/10/28 Paulo Vasconcellos <pfvasco...@gmail.com>

Ronan,

Como eu disse, a do Cohn é mais sofisticada e 'boazinha'. Mas acho que a minha pode representar um bom ponto de partida. Mais seguro, eu diria.

Sim, verdade.
E o legal da ideia do Cohn é que dá pra fazer até em um guardanapo... haha

[]s
Ronan

Leandro Mendonça

unread,
Oct 29, 2009, 1:58:08 PM10/29/09
to Análise de Negócios . br
Pessoal,

Não vi esse PMBOK 2008, mas se eles aumentaram de 3 para 5 restrições,
aí é que eu não vou ler mesmo.

A definição de Qualidade é: entregar o que foi prometido. Não faz
sentido comparar Uno com Ferrari pois a "promessa" é completamente
diferente. A Qualidade do Uno é a qualidade do Uno e a da Ferrari é a
da Ferrari, como foi muito bem observado por alguns colegas.

Quando deixamos de entregar ou entregamos com defeito algo que foi
prometido, estamos atentando contra a Qualidade.

Quando informamos que o Uno não terá desembaçador traseiro estamos
renegociando escopo.

Quanto aos Riscos, que seriam a outra nova ponta desse pentagrama
(pentagrama do capeta!!), não faz sentido destacá-los pois eles também
não são objeto de negociação. Riscos são consequencia e não causa. Os
riscos permeiam todos os aspectos do projeto, e os principais riscos
de qualquer projeto estão relacionados às demais restrições: riscos de
escopo, riscos de prazo e riscos de custos.

Acho essa disciplina de Riscos extremamente importante na gestão de
projetos, mas considero um erro trazê-la para essa discussão sobre
negociação de variáveis.

Abraços,

Leandro




On 29 out, 15:08, Ronan Lucio <ronanlu...@gmail.com> wrote:
> Gerson / Tales,
>
> 2009/10/29 Gerson Dias <gerson.dias....@gmail.com>

Shigueru

unread,
Oct 29, 2009, 2:10:01 PM10/29/09
to Análise de Negócios . br

Qualidade é atender plenamente o escopo. Simples assim.

O cliente quer um carro rápido? Quão rápido? Como um Uno? Então não
pode ser como uma bicicleta. O carro deve se locomover (obviamente).
Não posso entregar um produto que eu nem sei se anda. Tenho que
testar. Se o cliente bater o pé que não precisa testar porque ele acha
que não é necessário, que procure outra montadora. O cliente vai andar
no trânsito caótico de São Paulo? Esse é o objetivo? A Ferrari aqui é
sinônimo de qualidade?

Qualidade deve ser inegociável.

[]s

Shigueru.


On Oct 29, 3:08 pm, Ronan Lucio <ronanlu...@gmail.com> wrote:
> Gerson / Tales,
>
> 2009/10/29 Gerson Dias <gerson.dias....@gmail.com>

Tales Costa

unread,
Oct 29, 2009, 4:30:26 PM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Gerson,

Não entendi o que vc quis dizer com "Prazo * Recursos nesta relação
inversamente proporcional", me parece que estamos interpretando a
equação de formas diferentes.

O que essa equação mostra é que se aumentar Escopo OU Qualidade, então
o Prazo OU Recursos também irá/irão aumentar, pois o k é uma
constante. E Recursos deve ser entendido como custo, não apenas
pessoas.


[ ]´s

Tales Costa



2009/10/29 Gerson Dias <gerson....@gmail.com>:
>> >> 2009/10/29 Jean Streleski <jrs...@gmail.com>
>> >>
>> >> (Respondi antes de ver o link que o Paulo sugeriu).
>> >>
>> >> Reforça o que disse quando ele escreve:
>> >>
>> >> Quality is placed in the middle under the premise that we don’t mess
>> >> with
>> >> quality.
>> >>
>> >> 2009/10/29 Jean Streleski <jrs...@gmail.com>

Tales Costa

unread,
Oct 29, 2009, 5:41:51 PM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Ronan,

Na equação Recursos representa o que é "consumido" pelo projeto para
atender determinados Escopo, Prazo e Qualidade. Em outras palavras, o
custo do projeto em pessoas, equipamentos, serviços, ...

[ ]´s

Tales Costa



2009/10/29 Ronan Lucio <ronan...@gmail.com>:

Ronan Lucio

unread,
Oct 29, 2009, 6:15:12 PM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Tales,

Entendi.
Obrigado pela sua resposta.

[]s
Ronan

2009/10/29 Tales Costa <tal...@gmail.com>

Paulo Vasconcellos

unread,
Oct 29, 2009, 8:27:53 PM10/29/09
to an...@googlegroups.com
Olá,

Wow... o papo rendeu, hem? Agradeço a todos pelo alto nível do papo. Mas devo agradecer Ronan, Jean, Leandro e Shigueru por me mostrarem que não estou ficando maluco. Não que eu considere o outro lado doido, não é isso. Mas não seria a primeira vez que eu estaria 'sozinho' defendendo uma coisinha que me parece pra lá de fechada. Fico com o Leandro: se o PMBoK (cuja nova versão também desconheço) pretende complicar o mundo assim, vade retro!

Quanto ao papo PMBoK x Ágil me limitarei a dizer o seguinte: há muita incompatibilidade sim. Entre os 'mind sets' que eles criam. Me perdoem, mas o PMBoK é meio "velhinho" para projetos de software. Não é por isso que não seguirei considerando-o cartilha básica para todos os coordenadores de projetos. Espero ver, daqui alguns anos, a trilha inversa. Gente treinada em Scrum, por exemplo, estudando depois o PMBoK. Qual será a leitura e o choque?

Rodrigo, obrigado e parabéns pelos números alcançados. Invejáveis, eu diria.

Abraços,

Paulo

ps: Finalmente em SJC, depois de mais de 8 horas de estrada (Fernão Dias, Ayrton, Dutra... Ô vida!)

2009/10/29 Ronan Lucio <ronan...@gmail.com>

Gustavo Tavares

unread,
Oct 30, 2009, 7:25:16 AM10/30/09
to an...@googlegroups.com
Caro Paulo,

Não existe qualquer incompatibilidade entre PMBoK e metodologias ágeis. Primeiro que: sendo ágil ou não o desenvolvimento de software em 90% dos casos é um projeto. A incompatibilidade que existe é entre as metodologias waterfall, RUP e os modelos ágeis. Mas ambas as metodologias podem e são utilizadas em projetos. E um projeto, se quiser ser bem gerenciado, deve ser feito levando-se em conta algumas das considerações do PMBoK.

Como eu disse, as metodologias ágeis estão na moda. E agora são a bala de prata para resolver os problemas desenvolvimento de software. Quem sabe serão necessários mais alguns anos para os defensores xiitas da agilidade perceberem que não existe bala de prata; de novo. Mas até que isto aconteça eles vão continuar com o "mind-set" que você demonstrou: "não li e não gostei", ou melhor: "não entendi mas tenho certeza que não funciona".

Depois de passados estes anos, depois que as metodologias ágeis não conseguirem resolver todos os problemas do desenvolvimento de software, alguns destes defensores irão pular para o próximo modismo. Criar novos produtos para vender, criar novos treinamentos para ministrar. Outros irão começar a perceber que estas diversas metodologias são na verdade complementares. E que grande parte dos problemas que todas elas tentaram resolver no passado não são problemas a serem resolvidos com metodologias.

Atenciosamente,
2009/10/29 Paulo Vasconcellos <pfvasco...@gmail.com>

Gustavo Tavares

unread,
Oct 30, 2009, 7:30:53 AM10/30/09
to an...@googlegroups.com
Para reforçar o que estou escrevendo que não existe incompatibilidade entre projetos e metodologias ágeis, favor ver o excelente post do Marcel na discussão em paralelo neste mesmo fórum: [an.br :: 4237] "Re: Criação de software "do zero"


Atenciosamente,

Gustavo Tavares
Lkdin: www.linkedin.com/in/gustavares
Via6: www.via6.com/gustavares


2009/10/30 Gustavo Tavares <grsta...@gmail.com>

Elaine

unread,
Oct 30, 2009, 9:30:24 AM10/30/09
to Análise de Negócios . br
Pessoal,

Gostaria de acrescentar que o conceito de qualidade pode ser muito
relativo. Em geral, o que pode ser qualidade para um pode não ser para
outro. Esta percepção varia de pessoa para pessoa, de cliente para
cliente.

QA é super importante, mas não é suficiente para entregar qualidade
para o cliente. Um cliente pode esperar defeito zero, outro um
atendimento mais cortês, outro um atendimento mais formal, um quer
sistema on-line com dash-boards para acompanhar o atendimento, outro
prazos extremamente agressivos, um quer contato diário, outro quer
apenas acompanhamento em marcos importantes etc.

Acho que esses são itens que devem ser considerados quando se fala de
qualidade, considerando que todos os esforços de qualidade são
voltados para o cliente.

[]s,
Elaine


On 29 out, 15:08, Ronan Lucio <ronanlu...@gmail.com> wrote:
> Gerson / Tales,
>
> 2009/10/29 Gerson Dias <gerson.dias....@gmail.com>

Shigueru

unread,
Oct 30, 2009, 9:40:28 AM10/30/09
to Análise de Negócios . br

Sim, é relativo. Relativo ao escopo! Por isso "Qualidade é atender
plenamente o escopo".

[]s

Shigueru.

Rodrigo

unread,
Oct 30, 2009, 9:44:44 AM10/30/09
to an...@googlegroups.com
É isto mesmo. Qualidade está ligada ao escopo sim. E também a prazos e
custos do projeto. Posso contratar um estagiário para fazer os testes ou um
engenheiro de testes sênior. Vai depender do prazo/escopo/custo/riscos do
projeto!
Mas podemos ter no projeto pessoas com mais experiência para fazer os
testes. Ou não. Vai depender do nível de qualidade que o cliente quer. Posso
ter um campo de prova em Maranello para testar meu Uno. Certo? E isto custa
muito caro, certo?
Ou simplesmente dar uma volta em torno da Fiat aqui em Betim-MG e pronto! Tá
testado! E para uma amostra apenas. Não para todos os carros fabricados.

O que eu quero deixar claro é que temos sempre que balancear as cinco
variáveis: ESCOPO/CUSTO/PRAZO/RISCO/QUALIDADE.

Muitas vezes o escopo é o mesmo. Uma geladeira por exemplo. Uma é Brastemp!
Outra é xing-ling, feita por escravos na China. Ambas tem os mesmos itens de
escopo e requisitos. Qual vc acha que tem melhor qualidade? A chnesa?

Atc.
Rodrigo

-----Original Message-----
From: an...@googlegroups.com [mailto:an...@googlegroups.com] On Behalf Of

Paulo Vasconcellos

unread,
Oct 30, 2009, 7:27:33 PM10/30/09
to an...@googlegroups.com
Olá,

32 horas depois, cá estou de volta ao Sul de Minas. Cansado pacas, mas cometi o erro de ligar o micro. Então vamos lá:

@Rodrigo,

Você pode fazer o upload de arquivos diretamente. Não precisa de minha intervenção, ok?

@Gustavo,

Vamos clarear alguns pontos? Ser chamado de 'agilista xiita', mesmo q indiretamente, era a última coisa que me faltava. Para alguns agilistas de carteirinha eu não passo de um 'cascateiro' ou algo do tipo. Provavelmente em todos os sentidos aplicáveis. Detesto dogmas e 'religiões', meu caro. Minha avaliação e impressão (sobre o PMBoK ou qq outra coisa) são frutos exclusivos das experiências que vivenciei ou testemunhei de alguma forma. Conheço versões anteriores do PMBoK o suficiente para ter minha própria opinião. A última versão, que está em questão, eu realmente não conheço. Fiquei sabendo que se meteram a falar sobre levantamento de requisitos e coisas do tipo. Acho indevido, mas não vem ao caso. Aliás, se for o caso de debater o PMBoK, acho conveniente que outra thread seja aberta. Esse papo começou a me lembrar de algo que já aconteceu em outros fóruns, particularmente no finado CMM-Br. Espero que a gente não caia no mesmo buraco negro. Respeito sua opinião e experiência. Minha visão sobre o  PMBoK é um tanto diferente e ainda não vi razão para mudá-la.

Outro ponto: em nenhum momento, aqui no grupo ou em qualquer outro repositório, eu afirmei ou dei a entender que propostas ágeis configuram-se uma "bala de prata". Vinte e tantos anos de carreira em TI ensinam pelo menos uma coisa: a desconfiar. Como sou mineiro, imagine só o nível de desconfiança que deposito em tudo. Por isso sou muito lento. Falei sobre Scrum pela primeira vez lá nos idos de 2005. Comecei a sugerir sua adoção mais de 2 anos depois. Resumindo: modas não me pegam. Sou lento!

Espero que assim a gente consiga reposicionar o debate. Não tive a intenção de ofender ninguém que goste do PMBoK. Mas seguirei criticando-o sempre que achar necessário. E deixando meus argumentos com uma tag do tipo: pode descer o pau. Como já dizia o saudoso Vicente Matheus, "quem sai na chuva é pra se queimar".

Abraços,

Paulo

2009/10/30 Rodrigo <rodrigoalmei...@gmail.com>

Giovanni Bassi

unread,
Oct 31, 2009, 4:00:21 PM10/31/09
to an-br
Rodrigo,

Não torço pro corinthians, e meu nome não é Paulo, ou Cohn. Ainda assim, compartilho a visão que o Paulo expressa no seu e-mail. E ele não disse que o PMBoK é uma carta do demônio, e que suas práticas não são válidas. É o conjunto da obra é que é ruim, e acabam levando para algo que já descobrimos que não funciona em desenvolvimento de software (ainda que os PMPs que estão por aí estejam desesperadamente querendo tirar leite de pedra e mostrar que até o PMBoK pode ser ágil - mas não vou entrar nessa questão). Ainda assim há práticas lá que são muito interessantes.

Agora.. o que me interessou mesmo foi essa frase:

Melhores práticas disseminadas pelos melhores profissionais de gerência de projetos do mundo e que tem feito o sucesso dos projetos aumentarem nos últimos anos.
De onde você tirou o fato de o sucesso dos projetos tem aumentado? O Standish Group discorda de você em análise feita esse ano no Chaos Report, onde ele apresenta, com critérios de sucesso muito semelhantes aos presentes no PMBoK, que o sucesso em projetos caiu nos últimos anos.
Será que queremos tanto acreditar que aprendemos a fazer software que estamos acreditando nisso, ainda que constamente projetos conduzidos a la PMI falhem com frequência altíssima, conforme apresentado pelo Standish Group?

O interessante é que os critérios de sucesso aplicados no Chaos Report praticamente não se aplicam a projetos ágeis, já que alguns dos critérios de falha são projeto entregue fora do prazo, ou com escopo diferente do esperado, e em projetos ágeis todos entendem muito bem que estimativas não são contratos assinados com sangue, e que o escopo varia naturalmente.

[]'s

Giovanni Bassi
Microsoft MVP, MCSD, MCPD, CSM
Arquiteto de software
http://www.giovannibassi.com


2009/10/29 Rodrigo <rodrigoalmei...@gmail.com>

Caro Paulo, qualidade tem custo. E tem risco também.

Se eu sou cliente e quero uma Ferrari mas não tenho dinheiro para pagar, logo tenho duas opções:

1)      Pagar pela Ferrari arrumando o dinheiro de alguma forma

2)      Abrir mão da qualidade e ficar com o Uno-1996, que é o dinheiro que eu tenho para fazer o projeto.

 

Para fazer uma Ferrari terei mais riscos do que comprar um uno-1996. E para aceitar/evitar/mitigar os riscos da opção 1 terei mais custos do que na opção 2.

 

É simples assim. É uma questão de escolha. Se está no PMBOK  é porque o restante das pessoas, tirando vc e a torcida do Corinthians e o Cohn, aceitam o PMBOK como um guia de melhores práticas para gestão de projetos. Melhores práticas disseminadas pelos melhores profissionais de gerência de projetos do mundo e que tem feito o sucesso dos projetos aumentarem nos últimos anos.

 

Mesmo não podendo pagar, vc faria a Ferrari para o cliente que só tem como pagar pelo UNO-1996? Assumiria estes riscos?

Eu não.

Quem assume este projeto nestas condições para mim é irresponsável.

 

Atc.

Rodrigo

 

 

From: an...@googlegroups.com [mailto:an...@googlegroups.com] On Behalf Of Paulo Vasconcellos


Sent: quinta-feira, 29 de outubro de 2009 12:25

Subject: [an.br :: 4479] Re: Prazo, Custo e Escopo

 

Olá Rodrigo,

 

Existem visões e visões, né? Não é por acaso ou birra que não gosto muito do PMBoK. Sigo com o Cohn (e a torcida do Corinthians) ao não negociar a *qualidade*. E não vejo como os riscos entram na equação. Riscos eu combato diariamente, para não ser derrubado por eles. Assumimos mais ou menos riscos dependendo da variável fixada, é certo. Mas o que negociamos, afinal?

 

Abraços,

 

Paulo 

2009/10/29 Rodrigo <rodrigoalmei...@gmail.com>

Discordo.

Pelo PMBOK 2008, os projetos passam a ter 5 RESTRIÇÕES: Escopo, Prazo, Custo, Qualidade e Riscos. Cada uma delas podem ser alteradas em função de outras. Um projeto pode assumir mais riscos do que outro. Um cliente pode querer mais qualidade em um projeto e menos em outro. Assumir riscos e ter mais ou menos qualidade impacta diretamente em escopo, custo e prazo.

Ter menos orçamento impacta em diminuir o escopo ou diminuir prazo ou diminuir qualidade e diretamente pode aumentar os riscos do projeto.

 

 

Tudo deve ser avaliado e APROVADO pelo cliente!

 

 

Rodrigo Almeida de Oliveira, CBTS®

Gerente de Projetos/Gerente de Qualidade e Processos

Certificado em Testes de Software - CBTS

http://www.linkedin.com/in/raoliveira

 

 

From: an...@googlegroups.com [mailto:an...@googlegroups.com] On Behalf Of Paulo Vasconcellos
Sent: quinta-feira, 29 de outubro de 2009 12:04
To: an...@googlegroups.com
Subject: [an.br :: 4477] Re: Prazo, Custo e Escopo

 

Pois é, Jean

 

Qualidade não é ou não deveria ser uma variável nessa equação. 

 

Abraços,

 

Paulo

2009/10/29 Jean Streleski <jrs.net@gmail.com>

(Respondi antes de ver o link que o Paulo sugeriu).

Reforça o que disse quando ele escreve:

Quality is placed in the middle under the premise that we don’t mess with quality.

Giovanni Bassi

unread,
Oct 31, 2009, 4:00:24 PM10/31/09
to an-br
Rodrigo,

Se você vai ao médico, e ele diz que precisa operá-lo, você tem autoridade para dizer se ele deve ou não lavar a mão antes de realizar a operação? Você pode dizer a ele que não deve lavar a mão ou esterlizar os instrumentos e como isso vai exigir menos tempo dele, então ele deve cobrar um pouco mais barato pela cirurgia?
É claro que não.
Ele é um profissional, e não abre mão das praticas que permitem que ele se intitule como tal - lavar as mãos antes de operar, por exemplo.
Seguindo a analogia do Uncle Bob, cabe a nós nos comportarmos profissionalmente, e não permitir projetar software sem testes (ou sem qualidade). É simples assim. Eu simplesmente não acho que essa decisão caiba ao seu cliente. Ou nem mesmo a você, como gerente de projetos, mas cabe aos seus engenheiros de software. O seu papel como gerente é compor uma equipe que entenda isso.

É muito comum ouvirmos a história de que o cliente exigiu e a gente fez. Isso pra mim é algo que não deveria ser aceito em hipótese alguma. É aquele tipo de comportamento passivo-agressivo que não ajuda em nada o projeto. Se você aceitou o título de gerente de projeto, você assumiu a responsabilidade pela entrega implícita que esse título traz. Entregar com problema no final e culpar o cliente não está condizente com esta responsabilidade. Se eu pago um gerente de projeto para "garantir o sucesso do projeto" e ele não faz isso, podia ter feito o projeto sem ele.
Por fim, eu acho que esse título não serve para a industria de software. Já percebemos que a atitude deve ser de colaboração, e não comando e controle, que é o que o nome "gerente de projetos" implica. Além disso, essa posição acaba sendo extremamente infeliz em software, já que é muito difícil entregar software desta forma. Não sei como os gerentes de projeto não percebem, falha após falha...


[]'s

Giovanni Bassi
Microsoft MVP, MCSD, MCPD, CSM
Arquiteto de software
http://www.giovannibassi.com


2009/10/29 Rodrigo <rodrigoalmei...@gmail.com>

Não deveria, mas é. Pelo menos comigo, eu negocio o nível de qualidade a todo momento. E deixo claro os riscos que as escolhas implicam e os custos que teremos. Juntamente com a mudança de escopo e prazo que serão necessários para atender aos requisitos de qualidade.

Giovanni Bassi

unread,
Oct 31, 2009, 4:00:26 PM10/31/09
to an-br
O PMBoK deixa claro que a posição do gerente de projeto é central. Isso está escrito, preto no branco, exatamente desta forma. Essa figura do GP não existe em metodologias ágeis, e na prática, conforme acontece nas empresas, ela é abominada, porque trabalha-se com o conceito de autogerenciamento.
Se isso não é incompatibilidade, não sei o que é...


[]'s

Giovanni Bassi
Microsoft MVP, MCSD, MCPD, CSM
Arquiteto de software
http://www.giovannibassi.com


2009/10/29 Gustavo Tavares <grsta...@gmail.com>

Giovanni Bassi

unread,
Oct 31, 2009, 4:00:27 PM10/31/09
to an-br
Porque é tão importante assim encaixar algo que não encaixa? Não dá pra ficar assim: eu uso as práticas do PMBoK, e gosto; ele usa as práticas do XP, e gosta? Precisa tentar encaixar o Scrum, XP, etc, como se estivessem dentro das propostas do PMI, algo que claramente não estão?


[]'s

Giovanni Bassi
Microsoft MVP, MCSD, MCPD, CSM
Arquiteto de software
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2009/10/30 Gustavo Tavares <grsta...@gmail.com>

Rodrigo

unread,
Oct 31, 2009, 8:50:53 PM10/31/09
to an...@googlegroups.com

Acho que errei na minha afirmação sobre o sucesso dos projetos. Peço desculpas a todos.

Mas aqui na empresa após usarmos metodologia de GP baseada no PMI, passamos a ter sucessos no projetos, entregando no prazo, com o custo e escopo e nível de qualidade acordado com o cliente.

 

Atc.

Rodrigo

Rodrigo

unread,
Oct 31, 2009, 9:04:22 PM10/31/09
to an...@googlegroups.com

Caro Giovanni. Estamos falando de projetos de desenvolvimento de algum produto.

Práticas médicas são processos definidos e não está em questão aqui processos e sim qualidade em projetos. Uma vez definidos os processos (muitas vezes são produtos de um projeto!!!) devem ser cumpridos. E mesmo assim existe o risco de ter contaminação. O nível de risco será maior ou menor a partir do que está definido como nível de qualidade do hospital .  O hospital Souza Aguiar no Rio tem um nível de qualidade. O Albert Einstein em São Paulo tem outro muito maior. E um custo para o paciente muito maior também. Eu posso querer ser operado no Souza Aguiar, pois é pelo SUS e é mais barato. Eu sou o cliente. Eu escolho. E assumo os riscos. E assino um termo de responsabilidade ISENTANDO O MÉDICO de problemas que eu posso ter devido a contaminação hospitalar.

 

Sucesso em projetos também é atender bem o cliente, entregar o que ele quer e somente o que ele quer. O PMI diz isto. O Scrum faz isto na prática.

 

Clientes querem níveis de qualidade. E um nível maior ou menor implica em ter riscos. É disto que estou falando. O cliente tem que saber destes riscos e estar ciente dos impactos caso o risco aconteça.

 

Se um projeto tem um escopo, custo e prazo para cumprir , vc ficaria investindo em qualidade indefinidamente? Nos projetos que você trabalha, sempre tem os melhores profissionais existentes para a realização das atividades? Se não estiverem disponíveis vc os contrata mesmo que isto estoure os custos do projeto, sem precisar informar o cliente e ter o aval dele? Simplesmente manda a conta da projeto com o valor da qualidade QUE VOCÊ ACHA que é a melhor para o cliente ? E o seu cliente concorda em alterar o custo do projeto por estes motivos? E se não concordar? O que vc faz? Paga os custos do SEU BOLSO?

 

Atc.

Rodrigo

Gustavo Tavares

unread,
Oct 31, 2009, 9:20:02 PM10/31/09
to an...@googlegroups.com
Paulo,

Em momento algum me senti ofendido por gostar de PMBoK. Não cabem desculpas relativas a isto até porque estamos em um debate de idéias e estamos dispostos a ter nossas opiniões questionadas. Certo? Mas continuando o debate: eu acredito que você seja um "agilista xiita" pela seguinte razão: Você deixou bastante claro que considera as metodologias ágeis incompatíveis com o PMBoK, mesmo tendo também deixado claro que não conhece bem o que prega o PMBoK. Você demonstrou a opinião: "não provei mas já sei que não gosto", "não conheço mais sei que agilidade é melhor". Isto para mim é uma atitude xiita. Isto para mim é ser dogmático.

Eu gostaria agora de tentar explicar o porque PMBoK não é incompatível com agilidade. Se estiver disposto a me escutar peço um pouco de paciência, pois meus argumentos serão um pouco detalhados.

Para começar acredito ser importante entendermos o quê em essência o PMBoK prega. Em um resumo bem grosseiro (e bota grosseiro nisto) basicamente o que o PMBoK diz é o seguinte: "Sempre que você for fazer algo, pense em como você vai fazer". Isto vale para todo tipo de coisa. Se você for pensar em construir um prédio, pense em como você vai construir. Se você vai criar um novo shampoo, pense em como você vai criar este novo shampoo. O mesmo vale para software. Se você vai desenvolver um software, pense em como você vai desenvolver. Isto é o que o PMBoK prega. Nada além. Qualquer edição do PMBoK pode ser grosseiramente resumida nesta idéia.

Agora considerando que o foco da discussão aqui sempre foi software, como o PMBoK se aplica nesta situação e como ele interage com as metodologias ágeis? Simples. Antes de você iniciar o desenvolvimento do software você olha as características gerais deste "projeto de software" e pergunta: Qual a metodologia mais adequada para produzir este tipo de software? RUP, Waterfall, Modified Waterfall ou Scrum? Olhando para o que você tem em mãos (a idéia do software) você escolhe qual a metodologia melhor se aplica a sua situação.

Isto quer dizer que você, Paulo Vasconcellos, quando reune uma equipe de desenvolvedores; define que vai criar um software utilizando Scrum; informa a sua equipe quem é o Product Owner; escolhe um Scrum Master e incentiva a auto organização você, basicamente, faz o planejamento de um projeto exatamente como prega o PMBoK. Se você quiser até melhorar um pouquinho você pode escrever um documento com a lista de pessoas na equipe, o nome do product owner e o nome do scrum master. Neste mesmo documento você escreve uma frase que diga algo semelhante a "este projeto obedecerá as diretrizes do scrum" e pronto. Você tem um plano de projeto exatamente como prega o PMBoK.

Seu plano de projeto, é lógico, não vai ter uma seção de gerenciamento de comunicação. Seu plano de projeto não vai ter uma seção de gerenciamento de riscos. Seu projeto sequer vai fazer o gerenciamento de aquisições. Mas isto não tem importância. Seu gerenciamento de comunicação vai ser feito de acordo com as diretrizes do Scrum. Seu projeto não vai se preocupar em gerenciar riscos por questões que você saberá responder melhor do que eu. Mas isto não te torna incompatível com o que prega o PMBoK. Afinal de contas, antes de começar você pensou em como iria desenvolver o software. E você chegou a conclusão que utilizar a metodologia Scrum seria a melhor opção.

Portanto, apesar de suas experiências anteriores e seus vinte e tantos anos de carreira em TI, você realiza os seus trabalhos de acordo com a essência do PMBoK. Você não concorda e até desmerece o PMBoK, mas sem saber segue exatamente a essência do que este corpo de conhecimento prega. Como um dogmático você apenas não está disposto a reconhecer. Faz o que é pregado mas se coloca em uma posição, supostamente, crítica ao que o PMBoK prega.

Agora a segunda parte da polêmica; e se me permite, mais uma grosseria: Você é um agilista xiita também por uma outra razão: a tal da bala de prata. Como eu disse anteriormente, toda vez que alguém vai iniciar o desenvolvimento de um software ele olha para as características do "projeto" e se pergunta: Qual a metodologia mais adequada para produzir este software? Por todos os seus e-mails eu cheguei a conclusão que você sempre vai responder "SCRUM". Se eu te perguntar porque você vai me dizer: Porque é uma metodologia que possibilita a auto organização da equipe, porque ela possibilita uma determinação dos requisitos de forma incremental, aumenta a proximidade dos desenvolvedores com os usuários, etc e etc. Você obviamente está correto. O Scrum te traz todas estas vantagens. Mas e o software que você vai desenvolver? Ele tem as características que possibilitam a aplicação da metodologia Scrum?

Vou te contar uma coisa que possivelmente vai fazer você cair da cadeira. Você e todos os agilistas xiitas. Nem todos os projetos de software possuem requisitos ainda não definidos. Nem todos os projetos de software possuem requisitos com alta volatividade. Nem todas as equipes possuem condições de se auto gerenciar. Nem todos os clientes de software estão disponíveis para negociar com a equipe de desenvolvimento. E vocês, agilistas xiitas, devem deixar de fingir que isto não acontece. Devem deixar de dizer: "mas as características do desenvolvimento de software são essas" e fazer birra quando alguém pede um prazo e um custo para o desenvolvimento de um software. Um bom responsável por desenvolver sofwares deve saber que, em algumas situações, ele deverá optar por RUP ao invés de Scrum. Em algumas situações ele deverá optar por (pasmén) waterfall ao invés do Scrum. E em outras situações ele deverá optar pelo Scrum. Responsáveis por desenvolvimento de software e consultores que acreditam que o Scrum é a melhor opção sempre são profissionais limitados e ineficientes. E, me desculpe, por todas as mensagens que você enviou para este fórum, eu considero você como um destes profissionais.

Quer provas do que falei no parágrafo anterior? Ok! Imagine um banco que tem que adaptar seus sistemas ao novo modelo de pagamento DDA (Débito Direto Autorizado). Com um bom método de rastreamento de componentes, os requisitos deste projeto estão muito bem definidos e delimitados antes do início do mesmo. Eles não mudam na medida em que o software é desenvolvido. Imagine agora um projeto que tenha equipes de desenvolvimento distribuídas em quatro países com línguas diferentes, tendo que atender o cliente localizado em sete países diferentes. Em algumas situações os desenvolvimentos atendem a um cliente, em outras atendem a mais de um e em terceiras situações os desenvolvimentos atendem todos. Eu trabalhei em um projeto com estas características em uma empresa de software Indiana que atendia a uma multinacional fabricante de pneus. Consegue imaginar esta equipe se auto gerenciando? Imagine agora o desenvolvimento de um sofware para atender uma norma de um órgão regulamentador (CVM, ANATEL, ANEEL, BACEN, etc). Cadê o cliente a disposição para negociar prazos e requisitos a serem desenvolvidos?

Enfim, PMBoK e Scrum não são nem um pouco incompatíveis. O PMBoK está apenas uma camada acima do Scrum. Não é melhor, não vem antes, nem nada disto. Só trata de assuntos diferentes. PMBoK trata de projetos que são iniciativas únicas para se produzir algo. Scrum trata de desenvolvimento de software. Os dois podem ser perfeitamente combinados. Um projeto com fases de acordo com o que determina o Scrum. É isto. Quem diz que as duas coisas são incompatíveis diz isto somente por desconhecimento.


Atenciosamente,

Gustavo Tavares
Lkdin: www.linkedin.com/in/gustavares
Via6: www.via6.com/gustavares


2009/10/30 Paulo Vasconcellos <pfvasco...@gmail.com>

suzandeise

unread,
Nov 1, 2009, 8:41:55 AM11/1/09
to Análise de Negócios . br
Me impressiono com a quantidade de postings que voces conseguem gerar
em tão pouco tempo... Vou botar mais lenha na fogueira.

Concordo com o o Paulo e com os que reforçaram sua explicação de que
as pontas do triângulo são prazo, custo e escopo.

A análise de riscos gera decisões relacionadas a prazo, custo e escopo
(ex., e não lançarmos o produto até tal data, o concorrente sairá na
nossa frente).

O Shigeru explicou bem, “qualidade é atender plenamente o escopo”;
“qualidade deve inegociável”; e qualidade é relativa ao escopo. O post
do Mike Cohn mencionado pelo Paulo deixa claro no primeiro parágrafo
que qualidade fica no meio do triângulo (prazo, custo e escopo) e que
ele nem vai discutir qualidade pois parte da premissa que não devemos
mexer com ela.

Não vou entrar na discussão de se são 3 ou 5 restrições mencionadas no
PMBOK 4. Ainda preciso estudá-lo melhor pra poder discutir isso. Mas
já adianto que acho produtivo estudá-lo pra poder contribuir não só em
discussões como esta, mas também em discussões com o IIBA e com o
PMI. Confesso que sou idealista e sonhadora...

Pra quem não olhou ainda a quarta edição 4 do PMBOK, vou colocar meus
comentários num novo thread.

-Suzandeise

Paulo Vasconcellos

unread,
Nov 1, 2009, 9:56:57 AM11/1/09
to an...@googlegroups.com
Prezado Sr Gustavo Tavares,
  1. Eu *conheço* o PMBoK desde 1997.
  2. Não estudei nem li a última versão porque dediquei meu tempo em coisas mais úteis.
  3. Um dos serviços que ofereço é a *engenharia de processos*. Não conseguiria fazê-lo e seria desonesto em apresentar tal proposta se não conhecesse uma gama razoável de métodos, processos ou metodologias (escolha o nome que quiser).
  4. Em uma thread colocada ontem eu tentei demonstrar o tanto que o PMI e, infelizmente, o IIBA, se baseiam em ideias "velhinhas".
  5. Sou da idade do PMI. Ou seja, também sou velhinho.
  6. Mas procuro manter minha cabeça aberta, porque aprendi que em desenvolvimento de software toda certeza é relativa ou deveras perigosa.
  7. Como 7 é conta de mentiroso, encerro aqui minha resposta para seus argumentos "pouco detalhados".
Saudações,

Paulo Vasconcellos

2009/11/1 suzandeise <sth...@umich.edu>

Paulo Vasconcellos

unread,
Nov 1, 2009, 10:34:38 AM11/1/09
to an...@googlegroups.com
Oi turma,

Tinha acabado de chegar de nossa pelada dominical quando enviei a última resposta. Pois é, o lento maluco aqui vai para o micro antes de ir para o chuveiro. Mas o chuveiro é legal por causa do recall. (gostei da rima). A água gelada me fez refletir que três pontos colocados nos 'pouco detalhados' argumentos do Sr Gustavo Tavares mereciam uma resposta direta. Cá estou:

  1. O exemplo do banco e do DDA é muito bom. Didático! 
    Não utilizamos um ciclo de vida 'iterativo e incremental' só porque um negócio (ou seus requisitos) é instável. Adotamos este ciclo e este mind-set quando chegamos a conclusão de que:
    1. Somos humanos; consequentemente
    2. Vamos errar.
    3. Tá aqui a beleza desse ponto de vista. Não importa que os requisitos estejam 100% estabilizados. O fato é que a realização deles é um processo de aprendizado. Vários projetos, particularmente aqueles para desenvolvimento de software, simplesmente não podem abrir mão desse aprendizado.
    4. Todas as propostas de processos (ou metodologias ou ...) surgidas na última década apresentam derivações desta forma de pensar (aka "mind-set").
  2. Quem acha que Scrum só se aplica a projetos para desenvolvimento de software:
    1. Não conhece a teoria básica do Scrum; e, o que é pior...
    2. ... nunca teve o prazer de ver o método aplicado na prática.
    3. Scrum serve para o desenvolvimento de *qualquer* tipo de produto.
  3. Scrum é "bala de prata"?
    1. Meldels... não há bala de prata para lobisomem nenhum, ok? 
    2. Há mais coisas entre os requisitos e o software do que supõe nossa vã filosofia.
Agora eu "fui" de verdade*. Inté!

Paulo Vasconcellos

* E amanhã é feriado!!!!

2009/11/1 Paulo Vasconcellos <pfvasco...@gmail.com>

Leandro Mendonça

unread,
Nov 2, 2009, 5:43:27 PM11/2/09
to Análise de Negócios . br
Olá,

Apesar do feriado, tirei o final do dia (pós ressaca) pra estudar e
isso passa por dar uma sapeada aqui no grupo.


@Shigueru,

Vou retomar a defesa das 3 x 5 restrições a partir da sua afirmação,
que considero incompleta:

"
> Qualidade é atender plenamente o escopo. Simples assim.
"

Na verdade, qualidade é atender plenamente escopo, prazo e custo. Se
você entregar o escopo correto, mas fora do custo ou do prazo
combinados, o seu projeto teve perda de qualidade.

Uma equação seria: qualidade = entrega / promessa.


@Elaine,

Essa visão de que qualidade é um conceito subjetivo já foi superada. A
Qualidade é tão objetiva quanto a nossa capacidade de definir os
requisitos do projeto.

"
On 30 out, 11:30, Elaine <elaine.ven...@gmail.com> wrote:
> Pessoal,
>
> Gostaria de acrescentar que o conceito de qualidade pode ser muito
> relativo. Em geral, o que pode ser qualidade para um pode não ser para
> outro. Esta percepção varia de pessoa para pessoa, de cliente para
> cliente.
>
> QA é super importante, mas não é suficiente para entregar qualidade
> para o cliente. Um cliente pode esperar defeito zero, outro um
> atendimento mais cortês, outro um atendimento mais formal, um quer
> sistema on-line com dash-boards para acompanhar o atendimento, outro
> prazos extremamente agressivos, um quer contato diário, outro quer
> apenas acompanhamento em marcos importantes etc.
>
> Acho que esses são itens que devem ser considerados quando se fala de
> qualidade, considerando que todos os esforços de qualidade são
> voltados para o cliente.
"

Atributos de qualidade podem (e devem) ser incorporados explicitamente
aos requisitos do projeto, da forma mais objetiva possível, de modo
que possam ser verificados. Se eles não podem ser manifestados de
forma objetiva pelo cliente (quantitativamente, de preferência) eles
não podem ser prometidos pelo fornecedor, logo não entram na
equaçãozinha ali em cima.

Abraços,

Leandro Mendonça

Shigueru

unread,
Nov 3, 2009, 5:26:24 AM11/3/09
to Análise de Negócios . br

Leandro,

Você tem razão. Me detive apenas na analogia da Ferrari e do Uno e
acabei dizendo sobre qualidade do produto e não da qualidade do
projeto.

[]s

Shigueru.

Paulo Vasconcellos

unread,
Nov 3, 2009, 6:39:57 AM11/3/09
to an...@googlegroups.com
Olá,

Preciso dizer,

@Leandro,

Fantásticas as suas observações. Parabéns! E obrigado.

Abraços,

Paulo

2009/11/3 Shigueru <msyam...@gmail.com>
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