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A pesca ilegal da enguia bebé entre Santarém e Vila Franca de Xira é há muito conhecida das autoridades, que regularmente apreende redes.
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Um pelotão com cerca de 30 fuzileiros da Marinha portuguesa em acção de reconhecimento nas águas do Tejo, na zona de Valada, Cartaxo, teve de suspender a operação ligada à protecção civil porque as três embarcações que utilizavam ficaram com as hélices presas nas redes de pesca ilegal do meixão. A situação aconteceu ao final da tarde de dia 9 de Dezembro e na manhã de dia 10 ainda se procedia à reparação das embarcações – dois veículos anfíbios Larc e uma lancha de desembarque - que ficaram com as hélices danificadas.
A dirigir o pelotão de fuzileiros, o segundo tenente fuzileiro Goulart disse a O MIRANTE que a situação aconteceu cerca de cinco quilómetros a jusante de Valada, numa zona onde é habitual haver pelo menos uma acção anual de reconhecimento do terreno e do rio para eventual apoio a populações e bens em caso de cheia. A missão prosseguiu assim que foram reparados os danos.
Segundo o presidente da Junta de Freguesia de Valada, o rio está polvilhado de redes de apanha ilegal do meixão (enguia bebé) desde Santarém até Vila Franca de Xira, o que causa problemas às embarcações.
“Se um dia é preciso socorro a pessoas em época de cheias estas embarcações podem não conseguir passar. Além disso, o rio está cada vez mais carenciado de espécies piscícolas, pois outro peixe pequeno que é apanhado é deitado fora. Qualquer dia teremos rio sem peixe”, lamenta Manuel Fabiano. O autarca de Valada defende que mais do que apanhar redes, deve-se investigar e identificar quem transporta o meixão para o mercado espanhol e quem o comercializa. “Aí sim, será uma investigação séria”, acrescenta.
A situação das embarcações anfíbias paradas no areal da praia de Valada e da lancha atracada no cais atraíram algumas pessoas à zona ribeirinha. Jacinto Pereira disse a O MIRANTE que se as autoridades quisessem tinham acabado com aquele tipo de pesca há muito. “As fiscalizações são de seis em seis meses ou de ano a ano. Ponham-se à caça deles e apreendam-lhes os barcos. Este tipo de rede não é permitido em lado nenhum do mundo, isto não deixa passar nada”, lamentava o morador.
Acções da GNR insuficientes
Ao longo dos anos a GNR tem desenvolvido acções de fiscalização no rio Tejo à procura das redes ilegais, de tipo mosquiteira e com várias dezenas de metros de comprimento, que não deixam passar qualquer espécie de peixe. Segundo dados do comando da GNR de Santarém, só na zona por si controlada estima-se que existam no rio Tejo cerca de 150 redes.
A Capitania do Porto de Lisboa reconhece a existência de algumas redes organizadas neste tipo de pesca. Entre Outubro de 2008 e Março de 2009, a Polícia Marítima realizou 16 operações de fiscalização no rio Sorraia, um afluente do Tejo, tendo sido apreendidas e destruídas 61 redes e cerca de nove quilos de meixão foram devolvidos ao seu habitat, sem que se conseguissem identificar pescadores.
A pesca do meixão já levou a Associação dos Amigos do Tejo a acusar as autoridades competentes de fazerem “pouco ou nada” para combater a pesca ilegal do meixão, adiantando que são bem conhecidos os portos de desembarque da mercadoria e as estradas utilizadas por viaturas de transporte.
As enguias bebés, conhecidas como meixão ou angulas, são exportadas para Espanha a preços elevados. Cada quilo pode atingir entre 200 a 400 euros no mercado internacional. Preços que fazem com que sejam apelidadas de “caviar português”.
A enguia está sinalizada no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal como uma espécie em perigo, sendo um dos principais factores de ameaça “a sobrepesca de juvenis de enguia”.